Mônaco Rubens Barrichello fez ontem o que popularmente se diz ''botar a boca no trombone.'' Seu alvo foi ninguém menos do que o companheiro de Ferrari, Michael Schumacher. ''Se fosse colocar a cabeça no travesseiro tenho certeza de que dormiria bem, mas não sei se é o caso dele'', afirmou, depois da prova. Na última volta, na freada da chicane, depois do túnel, o alemão o ultrapassou, assumindo a sétima colocação. Rubinho acabou em oitavo. ''Eu sou piloto profissional. Estou aqui para competir. Vi a oportunidade de ultrapassá-lo e fiz. Não acho que expus ninguém a riscos extras'', afirmou, seco, Schumacher.
''Se eu estivesse atrás, tentando a ultrapassagem, a Ferrari não somaria nenhum ponto em vez dos três que conseguimos aqui em Mônaco. Isso porque ele teria jogado o carro em cima de mim e bateríamos'', contra-atacou Rubinho. ''Eu já falei com ele, pessoalmente, assim como com o Jean Todt, mas não vai mudar nada. Repito, se fosse ele quem estivesse na frente teria havido um acidente.''
''Olha, já passei por muitas dificuldades nesta equipe, bem como tive momentos ótimos, lutei muito para chegar onde estou. Hoje eu tenho direito de falar que não achei certo o que ele fez.''
E Schumacher argumenta que sua manobra não exigiu nenhuma reação extrema de Rubinho para evitar uma batida. ''É natural que ele reaja assim. Nenhum piloto gosta de ser ultrapassado na última volta'', falou Schumacher.
Ainda sobre o incidente com Schumacher, Rubinho disse: ''Anos atrás eu permaneceria quieto e tudo ficaria bem. Meu relacionamento com o Schumacher não irá estremecer por causa do meu caráter nesses cinco anos juntos, aguentando algumas coisas e jogando fora aquilo que não é necessário.'' Hoje, Rubinho faz 33 anos. ''Claro que eu preferiria comemorar meu aniversário com um sétimo lugar do que um oitavo.'' (A.E.)

mockup