Spa-Francorchamps, Bélgica - Se depender da vontade de Rubens Barrichello, Michael Schumacher, o companheiro de Ferrari, não conquistará, domingo, seu sétimo título mundial. ''Eu espero estender a definição do campeonato até o GP do Brasil e, se chegar até lá, gostaria que ele esperasse mais um ano'', disse Rubinho, rindo.
Realisticamente, afirmou que seu desejo no circuito favorito da maioria dos pilotos, o desafiante Spa-Francorchamps, é um só: ''Vencer Schumacher, ao menos uma vez este ano, e aqui seria ainda mais especial.'' A Ferrari disputa em Spa seu GP de número 700. O treinos livres do GP da Bélgica começam hoje.
A conquista do Mundial por Schumacher é dada como certa, tanto que o assunto nem foi muito mencionado, ontem, na veloz pista belga. O alemão precisa de apenas dois pontos a mais que Rubinho. Falou-se bem mais, por exemplo, do clima. Choveu o dia todo e a previsão para os próximos dias não é diferente. Kimi Raikkonen, da McLaren, deu sequência à série de ataques à performance dos pneus Michelin iniciada ainda na Hungria.
''Tenho de torcer para corrermos no asfalto seco porque a Bridgestone (fornecedora da Ferrari) tem um pneu melhor que o nosso para o molhado.'' Rubinho não tem essa preocupação, mas destacou que para a segurança do evento seria muito melhor se houvesse uma definição do tempo. ''O traçado é bem longo (6.976 metros) e em algumas áreas você contorna a curva com o piso seco e, de repente, ele está molhado. Com pneus para asfalto seco é muito perigoso.''
Perguntado sobre a famosa curva Eau Rouge, considerada por muitos como a mais difícil da Fórmula 1, Rubinho disse: ''Quando eu corria na Fórmula Opel, os boxes ficavam ao lado da Eau Rouge'', falou. ''Uma ocasião, vi de perto o Gerhard Berger contorná-la e me pareceu que não tirava o pé do acelerador.''
Prosseguiu: ''O Ayrton Senna, seu companheiro na McLaren, não fazia de pé em baixo, mas seu tempo de volta era um segundo melhor que o do Berger.'' Para o piloto da Ferrari, há um pouco de mito nessa história de que para ser rápido em Spa é preciso contornar a Eau Rouge sem tirar o pé do acelerador. Trata-se de uma curva em acentuado aclive, posicionada imediatamente na sequência de um trecho em forte descida.
As imagens na TV não registram essa topografia única dos circuitos da Fórmula 1. A expectativa é de que este ano, com o avanço dos carros e dos pneus, os pilotos a superem a cerca de 300 km/h. O engenheiro-chefe da Renault, Pat Symonds, calculou em 310 km/h a velocidade naquele ponto da pista.
A área de escape é desproporcionalmente pequena para a velocidade atingida. Um dos pilotos que, historicamente, mais bem percorria a Eau Rouge era Jacques Villeneuve. Piloto que assumia riscos elevados, como seu pai, Gilles Villeneuve.

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