Enquanto o alemão fugia da imprensa no Rio, em São Paulo o brasileiro previa uma boa briga com as McLaren
France PresseCARA FEIASchumacher deixa academia de ginástica no Rio: motorista do táxi que o levou não sabia quem era aquele ‘russo’

Agências Folha e Estado
De São Paulo e Rio
Em seu primeiro evento oficial antes do GP Brasil, uma entrevista coletiva, ontem, em São Paulo, o ferrarista Rubens Barrichello voltou a mostrar a faceta ‘‘fria e calculista’’ que inaugurou há duas semanas, no GP da Austrália, prova de abertura do Mundial de F-1.
Em vez de prometer bons resultados, como nos seus anos de Jordan e Stewart, manteve a cautela. No lugar de comemorar seu bom resultado no GP de estréia pela Ferrari, desdenhou a importância daquela segunda colocação. ‘‘Só posso dizer que teremos uma boa briga com a McLaren no treino de classificação’’, afirmou o brasileiro.
No ano passado, quando estava na Stewart e ainda não tinha perspectivas de uma transferência para um time grande, o discurso de Barrichello era o oposto. Na ocasião, bastante empolgado, afirmava que a quinta colocação no GP da Austrália provava que seu novo carro ‘‘não era um blefe’’. Tranquilo, apesar do assédio muito maior da imprensa, Barrichello respondeu ontem às perguntas pausadamente, preocupado em não criar clima de euforia.
Nascido e criado até a adolescência no bairro de Interlagos, chegou até a menosprezar a experiência que tem no circuito. Segundo ele, as reformas no autódromo colocarão todos os pilotos da F-1 em um mesmo patamar. ‘‘Quando eu corria lá, a pista era completamente diferente. Dessa vez, com o novo asfalto, então, todo mundo vai começar do zero’’, disse.
Barrichello correu no automobilismo brasileiro até 1989. Sua saída para a Europa coincidiu com a reforma que alterou todo o traçado de Interlagos, para adequá-lo às novas exigências da F-1. Além do recapeamento completo da pista para a prova deste ano, o fato de estar pela primeira vez correndo em casa ao volante de um carro de ponta motivou o brasileiro a não fazer previsões. ‘‘Fica difícil até saber quantas paradas vamos fazer nos boxes. Pode estar tempo bom, o que ajudaria a pista a ficar emborrachada, como também pode chover, e tirar toda a borracha do asfalto.’’
Outra evidência da fase mais sóbria na carreira de Barrichello é o fato de o piloto não ter programado nenhuma ‘‘homenagem’’ para a corrida deste ano. Nos últimos GPs em Interlagos, ele sempre mudou o design do capacete. Em um ano, adotou uma pintura em referência ao capacete de Ayrton Senna. Em outro, trocou o branco pelo prateado. ‘‘Pensei em mexer no capacete este ano. Colocar as cores do Brasil, do Ayrton... Mas isso me fez mal em 1995’’, disse.
Ontem, Senna completaria 40 anos se estivesse vivo. Coincidentemente, enquanto Barrichello, Pedro Paulo Diniz e Ricardo Zonta concediam a entrevista no Hotel Transamérica, em um salão ao lado era preparada a cerimônia de entrega do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo.
Após a entrevista, conversando mais reservadamente, Rubinho falou da vontade de ser papai – ainda que não agora. O acúmulo de atividades dentro e fora das pistas é que inviabiliza o casal, há três anos juntos, de ter um filho neste momento, explicou. ‘‘Sei que a Silvana deseja, como eu também, mas eu quero ser um pai muito presente, o que não seria possível agora.’’ Filho piloto também? Rubinho responde: ‘‘Meu coração vai entrar em chamas, mas, se desejar, terá o meu incentivo.’’
Com todas as atenções voltadas para o piloto da Ferrari, Diniz e Zonta se empenham em mostrar otimismo. Em times médios da categoria, mantêm comportamento semelhante ao de Rubinho nos tempos de Stewart. ‘‘A equipe resolveu o problema de câmbio que me tirou da prova da Austrália. Temos condições de terminar a corrida de domingo na zona de pontuação’’, disse Diniz.
Para Zonta, que rompeu oito tendões do pé direito em um acidente em Interlagos no ano passado, a BAR conseguiu uma grande evolução em relação à última temporada. ‘‘O carro sem dúvida é muito melhor. Mais equilibrado e com o motor mais potente.’’
Schumacher – Após fazer exercícios numa academia da zona sul do Rio, o piloto alemão Michael Schumacher dirigiu-se, ontem à tarde, para o hotel em que estava hospedado, em Ipanema, num táxi comum, em companhia da mulher. O motorista do táxi, o paraibano Edvar de Oliveira, de 46 anos, não sabia que conduzia uma personalidade do esporte e ficou apreensivo com a ‘perseguição’ dos carros de reportagem.
Manobras arriscadas e freadas bruscas chamavam a atenção de populares e deixavam Schumacher irritado no banco de trás do táxi. Ao deixar o piloto no hotel, Oliveira, limpando o suor no rosto, contou que, ao ver tantos carros em alta velocidade atrás do táxi, pensou que seus passageiros ‘‘estavam devendo alguma coisa’’. ‘‘Não sabia quem era o ‘russo’ e fiquei assustado.’’ Schumacher pagou R$ 10,00 para uma corrida de R$ 7,50 e não quis troco.
Depois disso, Schumacher saiu para almoçar com um casal de amigos pela porta lateral do hotel e novamente não deu entrevista. Pouco antes, ainda na academia, o piloto demonstrara mais uma vez seu mau humor com a imprensa e pediu várias vezes aos repórteres que se afastassem.

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