São Paulo - Poderia chover forte. Poderia ficar seco. Não poderia garoar. Mas garoou. E, a 32 minutos da largada do GP Brasil, ontem, em Interlagos, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) liberou as equipes para ajustarem os carros para a condição de asfalto úmido.
Nos boxes da Ferrari, Rubens Barrichello assumiu um ar de preocupação. Expressão que se transformou em decepção 71 voltas depois, quando ele cruzou na terceira posição a chegada da última etapa do Mundial de F-1. ''Saio de cabeça erguida. Não venci o GP, mas cheguei perto. Se havia algum tabu para quebrar, foi quebrado'', disse Barrichello, sobre os dez anos sem pontos de brasileiros em casa. Além dele, Felipe Massa, oitavo, pontuou.
A vitória foi de Juan Pablo Montoya, da Williams, seguido por Kimi Raikkonen, da McLaren. Não por coincidência, os dois times usam pneus Michelin, melhores que os Bridgestone, da Ferrari, na pista meio seca, meio molhada.
A Barrichello, que chegou a Interlagos dizendo ter a melhor chance em sua carreira de vencer um GP em casa, sobraram resignação e irritação com indagações sobre sua estratégia.
O brasileiro liderava a corrida na quinta volta, quando Montoya e Raikkonen trocaram os pneus intermediários por compostos de piso seco. O ferrarista fez seu pit na volta seguinte e ao voltar à pista era o nono colocado. Ali, suas chances de vencer terminaram.
''Se a pista estivesse seca, ótimo. Se estivesse molhada, ótimo também. O problema é que estava do único jeito que é ruim para nossos pneus'', declarou. ''Para nossos concorrentes, aquilo é o ideal. Não é desculpa, mas a corrida não jogou para nosso lado.'' Diante da insistência para que explicasse porque não entrou nos boxes com os rivais, fechou a cara. ''Já expliquei que não havia o que fazer.''
O problema é que seu companheiro, Michael Schumacher, entrou nos boxes na quinta volta e ao fim da primeira rodada de pits havia conquistado três posições. Segundo Gabriele delli Colli, engenheiro de corrida de Barrichello, a decisão de ficar na pista por mais uma volta com os pneus intermediários foi do brasileiro.
Foi um desfecho conturbado para um final de semana que parecia dourado para o ferrarista. Barrichello foi o mais rápido em quatro dos seis treinos em Interlagos. Na sexta, quebrou o recorde da pista e melhorou ainda mais a marca no sábado. No treino oficial, cravou a pole position.
Ontem, bem humorado, chegou ao circuito às 9 horas, com a mulher, Silvana. Passou a manhã com a família e com amigos. No final da tarde, reclamando de dores no pescoço, deixou o circuito ao lado de Silvana. Seguiram para uma festa com um motivo para comemorar: ela está grávida de dois meses, de um menino. O casal já tem um filho, Eduardo, 3 anos.
Brasileiros Felipe Massa, da Sauber, ficou satisfeito com o oitavo lugar, embora acreditasse que se as condições de clima tivessem sido melhores, o posicionamento final da corrida teria sido muito melhor. O paranaense Ricardo Zonta, da Toyota, terminou em 13º lugar e culpou o clima. ''O meu carro rendia melhor em situação de chuva. Em tempo seco ele estava muito difícil de dirigir'',

GP DO BRASIL

- A prova em Interlagos

1º Juan Pablo Montoya (Colômbia) Williams
2º Kimi Raikkonen (Finlândia) McLaren
3º Rubens Barrichello (Brasil) Ferrari
4º Fernando Alonso (Espanha) Renault
5º Ralf Schumacher (Alemanha) Williams
6º Takuma Sato (Japão) BAR
7º Michael Schumacher (Alemanha) Ferrari
8º Felipe Massa (Brasil) Sauber
9º Giancarlo Fisichella (Itália) Sauber
10º Jacques Villeneuve (Canadá) Renault
11º David Coulthard (Escócia) McLaren
12º Jarno Trulli (Itália) Renault
13º Ricardo Zonta (Brasil) Toyota
14º Christian Klien (Áustria) Jaguar
15º Timo Glock (Alemanha) Jordan
16º Zsolt Baumgartner (Hungria) Minardi
17º Gianmaria Bruni (Itália) Minardi

Abadonos

Mark Webber (Austrália) Jaguar
Jenson Button (Inglaterra) BAR
Nick Heidfeld (Alemanha) Jordan

- Mundial de Pilotos (final)

1º Michael Schumacher 148
2º Rubens Barrichello 114
3º Jenson Button 85
4º Fernando Alonso 59
5º Juan Pablo Montoya 58
6º Jarno Trulli 46
7º Kimi Raikkonen 45
8º Takuma Sato 34
9º Ralf Schumacher 24
10º David Coulthard 24
11º Giancarlo Fisichella 22
12º Felipe Massa 12
13º Mark Webber 7
14º Olivier Panis 6
15º Antonio Pizzonia 6
16º Christian Klien 3
17º Cristiano Da Matta 3
18º Nick Heidfeld 3
19º Timo Glock 2
20º Zsolt Baumgartner 1

- Mundial de Construtores (final)

1º Ferrari 262
2º BAR-Honda 119
3º Renault 105
4º Williams-BMW 88
5º McLaren-Mercedes 69
6º Sauber-Petronas 34
7º Jaguar-Cosworth 10
8º Toyota 9
9º Jordan 5
10º Minardi 1

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