Agência Estado
De Ímola, Itália
A primeira pergunta que vem à mente de quem assistiu ao GP de San Marino, domingo, é se, de fato, Rubens Barrichello dispõe do mesmo carro de Michael Schumacher. Afinal, o alemão venceu a corrida e Rubinho chegou em quarto, quase uma volta atrás. O próprio piloto brasileiro responde: ‘‘Não tenho dúvida alguma de que o meu equipamento é igual ao dele.’’
Ontem, na Inglaterra, onde a partir de hoje treina em Silverstone com a Ferrari, Rubinho tinha mais elementos para compreender o que se passou no fim de semana em Ímola. ‘‘Disputei a minha terceira corrida pela Ferrari, não faz o menor sentido ficar imaginando essas coisas de que eu não recebo o mesmo tratamento do Schumacher’’, disse.
‘‘O que aconteceu é simples’’, contou. ‘‘Eu tentei de todas as formas melhorar o equilíbrio do meu chassi e não consegui.’’ Ele não podia passar sobre as zebras da pista com a mesma violência de Schumacher. ‘‘Se fizesse isso eu rodaria, e nesse circuito sem passar sobre as zebras perde-se muito tempo.’’
Outro fator citado por ele para explicar a diferença de velocidade entre a sua Ferrari e a do alemão foi a soltura do cinto de segurança. ‘‘Eu seria uns três décimos de segundo mais lento por volta por causa do desequilíbrio do chassi’’, falou. ‘‘Mas deve-se somar a isso mais pelo menos meio segundo, por volta, por eu ficar me movimentando dentro do cockpit.’’
Depois do segundo pit stop, na 46ª volta, em que David Coulthard ganhou no box o terceiro lugar, as dores nas costas foram um terceiro agravante nesse contexto, conforme disse. ‘‘Ontem, o Schumacher levou a taça para a equipe, amanhã serei eu, não tenho dúvida, quem sabe não seja em Silverstone, pista que eu conheço bem.’’
Imprensa – Até mesmo o sisudo diário Corriere della Sera, que não costuma apresentar esporte na primeira página, se rendeu ontem à terceira vitória de Michael Schumacher no Mundial de F-1. O jornal tinha uma foto grande do piloto no pódio e o texto lembrava que, pela primeira vez na história da Ferrari, um piloto vence as três primeiras etapas do Mundial. Já a imprensa esportiva disputou uma corrida para ver quem trazia a manchete mais superlativa: ‘‘Magia Ferrari’’ estampou a Gazzetta dello Sport, ‘‘Schumi, storico tris’’ publicou o Corriere dello Sport.
É nítida a tendência dos textos em colocar a Ferrari já como a eventual campeã da temporada, apesar de nas reportagens Schumacher destaca a necessidade de manter os pés na terra, em razão de ainda faltarem 14 etapas para o encerramento do Mundial.
Para Corriere dello Sport, a história mostra que o piloto que vence as primeiras corridas, como agora Schumacher, acaba ficando com o título. Foi assim com o próprio Schumacher, em 1994, na Benetton, em que ganhou as quatro primeiras provas.
Outros exemplos mostrados pela reportagem: Ayrton Senna em 1991, pela McLaren, também com vitórias nos quatro primeiros GPs; Nigel Mansell na temporada seguinte, pela Williams; e Damon Hill em 1996, também de Williams. Todos foram campeões naqueles anos.

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