Foi uma cerimônia simples, mas ‘‘quente’’, como Rubens Barrichello a definiu. A esposa Silvana o aguardava na casa da irmã, em Cambridge, Inglaterra. Na companhia de alguns amigos, como o piloto Luciano Burti, da Jaguar, estouraram champanhe e comeram bolo. Tudo para comemorar a primeira vitória de Rubinho na F-1, a primeira do Brasil depois de sete anos e meio e 118 GPs.
‘‘Apesar do cansaço, ainda assistimos à fita da corrida e depois a transmissão da prova de Fórmula Indy’’, disse Burti. ‘‘Não tivemos tempo para nada porque ainda hoje (ontem) o Rubinho viaja para a Itália a fim de testar o carro da Ferrari em Fiorano’’, contou seu empresário, Frederico della Nocce. No domingo, depois do GP da Alemanha, os três foram de Hockenheim a Cambridge num avião fretado e, com a mesma aeronave, Rubinho voou nesta segunda-feira à tarde para Bolonha.
‘‘Ele, e todos nós, ainda estávamos emocionados com o que aconteceu lá na Alemanha, em especial pela forma como o Rubens conquistou a vitória’’, disse Frederico. Seguindo orientação da Ferrari, Rubinho evitou a imprensa. Nesta terça-feira, certamente dezenas de jornalistas italianos irão entrevistá-lo depois de treinar com o modelo F1-2000 em Fiorano. A agenda da equipe prevê sua participação apenas no teste de hoje, enquanto sexta-feira será a vez de Michael Schumacher. Mas nesse período o piloto de testes da Ferrari, Luca Badoer, estará sempre experimentando também algumas novidades no carro.
‘‘Observando com mais detalhes o que se passou na corrida, Rubinho comentou comigo ter estranhado a reação de Mika Hakkinen quando começou a chover’’, disse Burti. ‘‘Não havia necessidade de substituir os pneus para asfalto seco pelos de piso molhado’’, teria afirmado Rubinho. ‘‘Dá para ver que na maior parte do traçado (6.825 metros) a pista está quase seca.’’
Sua estratégia, contou Burti, foi exigir tudo da Ferrari nos trechos em que a aderência era ainda elevada para depois, na parte do estádio, onde havia mais água, guiar com bastante prudência, explicou Burti. ‘‘Volta a fita, volta a fita’’, pediu Rubinho. ‘‘Nesse ponto aí eu quase rodei’’, falou.
O piloto de testes da Jaguar comentou que Rubinho mostrou as duas vezes em que, por pouco, o seu sonho não acaba ali. ‘‘A partir daí passou a tomar ainda mais cuidado na seção com maior acúmulo de água.’’ Como Rubinho e Burti têm vários amigos correndo na Fórmula Indy, ainda houve tempo de os dois, em seguida às comemorações, assistir à transmissão da prova de Chicago. As relações entre Rubinho, Burti, Tony Kanaan, Christian Fittipaldi, Gualter Salles e Gil de Ferran são antigas. Em Chicago, Cristiano da Matta obteve sua primeira vitória na Indy.
‘Cretino’ – Rubens Barrichello decidiu usar pneus slickis – para pista seca – mesmo após contato, via radio, em que o engenheiro da Ferrari, Ross Brawn, teria lhe dito que estaria jogando fora sua chance de terminar a prova. ‘‘Eu estava em contato com Brawn, que dizia que Hakkinen já havia colocado pneus para pista molhada, e como em boa parte do traçado chovia, disse que queria seguir com pneus slickis, e que se acontecesse algo errado, autorizaria a todos que me chamassem de cretino’’, afirmou Barrichello ontem à imprensa italiana.
O próximo Grande Prêmio será dia 13 agosto, no circuito de Hungaroring, na Hungria.

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