Maranello, Itália - A escuderia Ferrari apresentou ontem o novo F2002 em Maranello, com um discurso desafiador do piloto brasileiro Rubens Barrichello, enquanto o alemão Michael Schumacher, técnicos e diretores da equipe defendiam a unidade da escuderia.
Enquanto o brasileiro enfatizava suas palavras utilizando a primeira pessoa do singular (‘‘Eu’’), os outros membros da equipe preferiam usar o plural (‘‘Nós’’). O diretor-técnico britânico, Ross Brawn, chegou a afirmar: ‘‘Vencemos todos, perdemos todos’’.
‘‘Darei e farei tudo o que puder para levar o time aos dois campeonatos’’, afirmou o ‘‘rebelde’’ Barrichello.
Mais tarde, falando aos jornalistas, deixou claro que depois de duas temporadas com apenas uma vitória em Grande Prêmio, enquanto Schumacher conquistou dois títulos mundiais, está cansado de ficar em segundo plano.
‘‘Espero ser uma pedra no sapato de Michael’’, disse o brasileiro. Parece que os dias em que obedecia ordens da equipe acabaram para Barrichello, que admitiu que esta pode ser sua última temporada na Ferrari.
‘‘Se for bem ficarei. Caso contrário, farei algo diferente’’, disse Rubinho. ‘‘Pilotarei, me divertirei e conseguirei algumas vitórias’’.
As palavras de Barrichello desviaram a atenção do evento, no qual o protagonista deveria ser o novo carro da Ferrari.
Uma nova caixa de câmbio, melhorias na transmissão e um chassi mais estreito são as principais inovações do F2002.
A Ferrari terá uma nova versão do motor, o 051, que só terá alguns retoques em relação ao modelo 050.
Schumacher, que se referiu a Ferrari como sua família e pela primeira vez falou algumas frases em italiano, lançou uma farpa para Barrichello quando lembrou que dos três acidentes ocorridos nos testes da equipe, dois aconteceram quando o brasileiro estava ao volante.
Schumacher e Barrichello elogiaram a decisão da equipe de apresentar um carro melhor.
‘‘Quando você vê mudanças radicais, se sente melhor. Te dá muita confiança’’, disse Schumacher. Barrichello concordou: ‘‘É preciso coragem para fazer mudanças, porque quando você é vencedor tende a ser conservador’’.

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