Rubinho fala em vitória e quer ser papai
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 21 (AE) - Na entrevista coletiva, hoje em São Paulo
Rubens Barrichello não foi econômico: "Desta vez a Ferrari tem um carro veloz na classificação para lutar pela pole position e a vitória." Previu que os tempos de volta em Interlagos cairão de 2 a 3 segundos e que a chuva pode não favorecê-lo tanto. Mas depois, conversando mais reservadamente, falou da vontade de ser papai, ainda que não agora, e da emoção de disputar a prova do Brasil pela Ferrari. "Será o meu primeiro GP."
A temporada deste ano lembra a da Ferrari em 1979, quando conquistou seu último título de pilotos, com o sul-africano Jody Scheckter, comenta Rubinho. "Naquele campeonato o carro era muito veloz desde a primeira etapa do Mundial, como agora." Por conta de ser piloto da Ferrari e do sucesso da F1-2000 em Melbourne, sua agenda no Brasil quase não lhe deu chance de permanecer em casa, como tanto gosta. "Não marquei nenhum compromisso para segunda-feira à noite, sentei no sofá e curti assistir à televisão com a Silvana, como qualquer casal normal."
O acúmulo de atividades dentro e fora das pistas é que inviabiliza o casal, há três anos juntos, de ter um filho neste momento, explicou.
"Sei que a Silvana deseja, como eu também, mas eu quero se um pai muito presente, o que não seria possível agora." Filho piloto também? Rubinho responde: "Meu coração vai entrar em chamas, mas, se desejar, terá o meio incentivo." Como ele, a Ferrari trabalha tanto ou mais. "É equipe que mais desenvolve o carro na Fórmula 1." E como a base da F1-2000 é "fantástica", ele imagina que o modelo será mais e mais veloz. "Não foi só a McLaren que treinou entre a corrida da Austrália e a de São Paulo, nós também teremos novidades no carro", disse. "Não posso divulgá-las, mas também são de natureza aerodinâmica."
Pouco antes de falar com alguns jornalistas depois da coletiva
Rubinho recebeu um telefonema no seu celular. Era o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, que desejava saber se estava tudo bem com ele, pois soube do enorme interesse dos brasileiros por seu piloto. "A Ferrari em nenhum momento quis me prejudicar em Melbourne, isso é mentira", aproveitou depois para esclarecer. Os 40 anos que Ayrton Senna estaria comemorando hoje
se vivo, emocionaram o piloto da Ferrari.
"É incrível pensar nisso, não sei se ele estaria ainda correndo." Como em 1995, pensou em fazer uma homenagem ao ídolo
pintando parte do capacete como o de Senna. "Eu me coloquei tanta pressão naquele ano que acabou fazendo mal, por isso desisti." Sua esposa sempre dá um palpite nessas questão mais humanas, embora entenda de automobilismo por vir da família Giaffone, tradicional nome das pistas brasileiras. "Eu dava um autógrafo e depois perguntava o nome da pessoa", lembra. "A Silvana me mostrou que seria mais simpático primeiro procurar saber o nome e só depois fazer a dedicatória."
Declarações de alguns funcionários que estão trabalhando em Interlagos, e que chegaram a Rubinho, reforçaram ainda mais sua vontade de conseguir um bom resultado na prova, domingo. "Eles disseram que vale a pena dar o duro que eles estão dando porque eu vou brigar pela vitória." O exemplo do lutador Popó deve ser seguido por ele. "Segundos depois de nocautear o adversário o Popó disse que aquilo poderia ajudar o Brasil." E concluiu: "Se é desse jeito, através do esporte, que o Brasil pode ser mais feliz, eu espero contribuir."


