Magny-Cours, FRA, 26 (AE) - Feliz, claro, mas bastante sereno, Rubens Barrichello disse depois de obter hoje, em Magny-Cours, na França, a segunda pole position da carreira: "Tão logo a classificação terminou, a chuva também parou; coincidência? Não creio, havia alguém lá em cima hoje olhando por mim." Depois agradeceu o seu consultor do tempo, o alemão Horst Roeger, que lhe orientou para marcar seu tempo no início da sessão, o que se mostrou decisivo. "Esse resultado não poderia vir em melhor hora", afirmou, referindo-se às negociações que mantém com a Ferrari, a McLaren e a própria Stewart.
Barrichello falou mais: "Ganhar a corrida? No seco as chances são pequenas, mas se chover, como aqui é difícil ultrapassar, por que não?" A ausência de Michael Schumacher, da Ferrari, sexto, e de Mika Hakkinen, McLaren, 14º, das duas primeiras filas do grid o favorecem, conforme destacou. "Sem eles por perto fica mais fácil."
O piloto percebeu que faria a festa com Jackie Stewart, diretor da sua equipe, pela conquista da primeira pole da escuderia, quando saiu no fim da classificação, na tentativa de melhorar ainda mais seu tempo, já que alguém poderia superá-lo.
"Havia tanta água no asfalto que eu logo compreendi que ninguém melhoraria seus tempos." Faltavam cinco minutos para o encerramento do treino e a chuva era intensa. Ao seu lado largam Jean Alesi, da Sauber, em segundo, e Olivier Panis, da Prost, terceiro. Os dois, como Barrichello, estabeleceram suas marcas nos primeiros dez minutos da sessão que definiu o grid, instante em que a chuva caía leve sobre o autódromo.
Na abertura da temporada, na Austrália, Barrichello surpreendeu a Fórmula 1 ao largar em quarto. No Brasil, ele e a Stewart foram ainda melhores ao conseguir o terceiro lugar no grid de Interlagos. O piloto da Stewart largou ainda em sexto no GP de San Marino, em quinto em Mônaco, sétimo na Espanha, quinto no Canadá e agora, na França, é o pole position.
A outra pole de Barrichello na Fórmula 1 ocorreu no GP da Bélgica de 1994, em condições bastante semelhantes. Na Jordan
na época, aproveitou-se da formação de um trilho quase seco nos minutos finais do treino de Spa e, ao instalar pneus lisos, para piso seco, bateu Michael Schumacher, da Benetton.
O excelente resultado do brasileiro hoje pode tê-lo aproximado ainda mais de Michael Schumacher: são muito boas as possibilidades de Barrichello se transferir para a Ferrari na próxima temporada. A imprensa italiana o procurou ontem para falar do assunto. "Como disse antes, confirmo as negociações com a Ferrari, a McLaren e a Stewart, mas ainda não há nada definido." Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, deu o perfil de um eventual substituto de Eddie Irvine: "Ele tem de ser jovem, experiente e veloz", senão as características do brasileiro.
Na semana que antecedeu a prova de Magny-Cours houve grande avanço entre os dois lados, a ponto de Jackie Stewart também já ter iniciado conversas com o próprio Eddie Irvine, hoje na Ferrari, e David Coulthard, da McLaren. "O Jakie me pediu que se eu acertar minha vida com esses times é para avisá-lo o mais rápido possível, a fim de ele tentar levar para a Stewart um dos dois pilotos." O Brasil não foi bem ontem em Magny-Cours apenas com Rubens Barrichello. Os outros dois representantes do País realizaram igualmente belo trabalho. Ricardo Zonta, da BAR, aproveitou-se das condições de pouca aderência do asfalto, em que há maior equivalência de desempenho dos carros, e marcou o décimo tempo, 1min42s228, sua melhor posição no grid. Este é o seu terceiro GP na Fórmula 1.
Seu companheiro de BAR, o canadense Jacques Villeneuve, campeão do mundo de 1997, ficou em 12.o, com um tempo um segundo e meio pior que o de Zonta, 1min43s748, sendo que o jovem de Curitiba registrou sua marca 18 minutos depois do canadense, hora em que havia mais água na pista.
Pedro Paulo Diniz obteve também sua melhor colocação na Sauber, 11ª. "Sei que poderia ter feito melhor, pena eu ter rodado", disse. "Largar na quinta fila não é, de qualquer forma, um resultado ruim", comentou. Seus primeiros pontos na Fórmula 1 foram conquistados na Espanha, em 1996, quando pilotava para a Ligier, numa prova disputada sob chuva intensa.

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