Rubinho diz que a partir de agora não terá mais desculpas
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 15 (AE) - Rubens Barrichello deixou bem claro o que espera da próxima temporada, hoje em São Paulo, durante entrevista coletiva: "Se no meu oitavo ano de Fórmula 1 eu não vencer com a Ferrari, então eu não vou ganhar mais nada." Para ele, a Stewart é uma grande promessa, enquanto a equipe italiana
uma realidade, daí a sua escolha. "As chances de meu time atual fazer um bom carro, ano que vem, são de 7 ou 8, enquanto as da Ferrari, de 9 ou 10." Não há desculpas para uma eventual falta de resultados no próximo Mundial, diz Rubinho.
"Se a Ferrari desenvolver mesmo um modelo competitivo e o Michael Schumacher sair vencendo, eu também tenho de chegar em primeiro", afirmou. Isso não significa, contudo, nenhuma pressão extra sobre si próprio. "Quem viveu o que passei em 1995, no primeiro ano depois da morte do Ayrton Senna, em que senti o Brasil nas minhas costas, essa questão da Ferrari não chega a desestabilizar."
O atual piloto da Stewart comentou ter consciência de que está tendo uma segunda chance na Fórmula 1: "Sou um daqueles casos raros em que é oferecida uma segunda oportunidade", falou. "Em 1994, falavam muito no meu nome num time de ponta, mas não pintou nada de concreto, foi uma decepção enorme!" Agora, lembrou, pode dizer de "boca cheia" que é um piloto da Ferrari. E esse não é o maior desafio na sua carreira. "O maior é vencer", afirmou.
Os italianos insinuaram chamá-lo de italiano, em razão da sua origem e o domínio do idioma, desenvolvido em 1990, quando morou na Itália, na época da Fórmula Opel. "Fiz questão de dizer a eles que sou brasileiro, desde que nasci, apesar de todas as nossas dificuldades", contou. "Pedi a eles para que não se refiram a mim como Rubens, o italiano." A força e as conhecidas pressões da imprensa italiana não deverão afetá-lo: "Já estou numa fase em que o que se comenta a meu respeito não mexe comigo." Tão logo a Ferrari anunciou sua contratação, Rubinho disse que recebeu bilhetes escritos a mão de empresários italianos interessados em patrociná-lo.
"Não defini nada ainda, mas tenho uma pequena liberdade de explorar espaços publicitários." Ele não pretende comprar, ao menos agora, um dos modelos da Ferrari. "Eu seria assaltado aqui no Brasil." É certo também que Rubinho não irá residir na Itália. O piloto não disse, mas sabe-se que foi orientado a escolher outro país, por causa do impressionante assédio dos fãs
que não lhe dariam paz. É provável que venha a residir em Mônaco, onde já mantém um apartamento. Hoje mora em Cambridge, na Inglaterra.
No fim da conversa, Rubinho confidenciou que seu avô, Ruben Barrichello também, contou-lhe que está torcendo para Eddie Irvine não ser campeão com a Ferrari. Privilégio que deseja para o neto. "Já disse para ele: Vô, não seca ele que sobra para mim!"


