Mônaco, 13 (AE) - Pelas suas contas, o seu 100º GP seria em Ímola, dia 2. Nas da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), as oficiais, Rubens Barrichello completa a sua 100ª participação em corridas de Fórmula 1 neste fim de semana, em Mônaco. A FIA não considerou na sua estatística o GP da Bélgica do ano passado, em que Barrichelo não participou por estar entre os 13 envolvidos no acidente da largada. Jackie Stewart, proprietário da sua equipe, o aguardou com um bolo, hoje, no motorhome da equipe, depois do treino livre.
"Precisei de seis anos para enxergar perspectivas de sucesso, quem sabe nos próximos 100 GPs eu consiga os resultados que há muito persigo e, por razões na maioria das vezes não minhas, não os obtive ainda." Jackie Stewart lembrou que ele, de 1965 a 1973, não completou essa marca (disputou 99 GPs), enalteceu o trabalho de seu piloto e o qualificou com um dos melhores do mundo.
Em seguida, lançou o olhar para Johnny Herbert, companheiro de Barrichello, e disse aos jornalistas que precisava ter uma "conversinha" com o inglês. A diferença de desempenho entre os dois, nas classificações e durante as provas
tem sido grande.
Alguns dias antes de completar cinco anos da morte de Ayrton Senna, há cerca de duas semanas, Barrichello comentou: "Teria sido tudo tão mais fácil para mim se ele estivesse aqui." Já na sua segunda temporada na Fórmula 1, em 1994, o atual piloto da Stewart teve de assumir, mesmo sem desejar, a quase impossível missão de substituir Senna no coração de milhões de brasileiros. Barrichello se transformou, de repente, no "Rubinho". Sem o mesmo talento, carisma e não contando ainda com um equipamento que lhe permitisse dar sequência à impressionante série de conquistas do País no Mundial, Barrichello caiu em desgraça.
Não fosse o tão eficiente quanto surpreendente modelo SF-03 da Stewart deste ano, o piloto de São Paulo, que dia 23 completa 27 anos, jamais seria chamado de Rubinho novamente, a não ser quando acompanhado da qualificação depreciativa que a televisão imortalizou: "Rubinho pé de chinelo". A virada de mesa ocorreu bem em Interlagos, durante o GP do Brasil.
Por 23 voltas ele manteve-se em primeiro lugar, na frente de ninguém menos de Michael Schumacher, da Ferrari, e Mika Hakkinen, McLaren, diante de 60 mil impressionados espectadores e outros tantos milhões na TV. Ainda há desconfiança por parte de muita gente, mas ao menos ficou no ar a suspeita de que, com um bom carro, Barrichello pode reassumir o papel de Rubinho. O GP de Mônaco é outra oportunidade para ele provar a tese.
Nesses 100 GPs, Barrichello conquistou uma pole position
na Bélgica, em 1994, quando competia pela Jordan, equipe onde se manteve de 1993 a 1996. Em 1997 passou para a Stewart. Foi duas vezes segundo colocado, no Canadá, em 1995, e em Mônaco, em 1997, e em duas oportunidades classificou-se em terceiro: no GP do Pacífico de 1994 e no último GP de San Marino, dia 2.
Além disso, Barrichello terminou em quarto lugar em oito corridas; em quinto, sete vezes, e em sexto em outras seis oportunidades. No total, conquistou 62 pontos. Sua melhor classificação no Mundial ocorreu em 1994, quando terminou na sexta colocação.

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