Foram as suas primeiras palavras: ‘‘É diferente mesmo’’, afirmou ontem Rubens Barrichello, logo depois de sair do carro da Ferrari, no box do circuito de Fiorano. ‘‘Eu não sei o que é, mas a verdade é que me sinto mais leve, ainda mais energizado para trabalhar.’’ Rubinho testou ontem o modelo F1-2000, como preparação para a próxima etapa do Mundial, dia 13 na Hungria.
O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, aproveitou o intervalo no treino para cumprimentar pessoalmente o piloto, sua esposa, Silvana, e convidá-los para almoçar – tudo por causa da primeira vitória de Rubinho na Fórmula 1, domingo passado, em Hockenheim, Alemanha. ‘‘Eu já havia escutado que depois da primeira vitória as coisas mudam; vi hoje que comigo não foi diferente’’, disse o piloto.
Normalmente a equipe dispõe de capacetes em Fiorano para os testes. Ontem, por alguma razão que Rubinho não soube explicar, os seus não estavam lá. ‘‘Tive de usar o da corrida de Hockenheim, o que, em conjunto com o clima vivido na equipe, com todo mundo rindo à toa, me deu uma sensação maravilhosa de bem-estar.’’
As declarações de Montezemolo, segunda-feira, eram desconhecidas por Rubinho. O dirigente deixou claro que a Ferrari trabalha para Schumacher ser campeão. Disse mais, ao lembrar que seu critério de análise de um piloto se estende além da sua simpatia e domínio do idioma italiano. ‘‘Não quero entrar em polêmica, mas não foi isso o que ele me falou.’’ Montezemolo o cumprimentou por estar conquistando os resultados que a Ferrari imaginava fossem ocorrer apenas mais para a frente.
O presidente ressaltou para o piloto que ele representa o futuro da equipe. E nesse sentido suas declarações, a respeito da preferência da Ferrari, são coerentes. O presente é de Michael Schumacher.
No pódio – Silvana, esposa de Barrichello, solicita ao repórter, em Fiorano: ‘‘Não vai escrever, hein, por favor. Ele ficaria louco da vida comigo. Mas tirei o maior sarro dele porque, quando vimos a fita da prova; precisaram puxá-lo do pódio, o homem não queria mais sair de lá.’’
‘‘Dia de aniversário dele é assim, o Rubinho me diz que gostaria que nunca acabasse’’, contou Silvana. ‘‘Perguntei a ele se aquele pódio representava algo parecido.’’
Os dois, há três anos casados, compõem uma dupla unida por ligações químicas fortes. Não há uma entrevista mais profunda em que Rubinho não cite Silvana como um fator importante na sua recuperação como piloto. No fim da temporada de 1995, dispensado pela Jordan, e tendo de aceitar competir por um time estreante, ainda que de boas perspectivas, a Stewart, Rubinho sentia-se no fundo do poço.
E a própria F-1 já se desencantara com a eterna promessa que representava. ‘‘De fato acho que temos uma relação saudável, diferente da média hoje em dia’’, comenta Silvana. ‘‘O Rubinho me impressiona pela forma como sempre vai buscar forças para sair de situações ruins.’’
Quanto à importância que o piloto lhe atribui sempre, Silvana fala: ‘‘Claro que eu ouço tudo isso com muito carinho e me faz feliz, mas eu represento um passado recente para ele’’, diz. ‘‘Ele também valoriza muito o pai porque eles deixaram quase de viver para que o Rubinho chegasse onde está.’’
Sobre o tema, o piloto já se manifestou: ‘‘Meu pai vendeu o carro para eu continuar correndo.’’ Como muitos, Silvana acredita que a vitória na Alemanha, domingo, o ajudará na F-1. ‘‘Dói ver gente quem não entende nada de F-1 fazendo piada a respeito dele.’’

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