Um dos membros da "família real" do jiu-jítsu, Royler Gracie defende a modalidade como uma forma de garantir o bem-estar e não de competição. Ele está em Londrina para ministrar um seminário sobre técnicas da modalidade e defesa pessoal hoje, promovida pela academia Iron Gymnasium e a equipe HJJT.
Quinto filho da lenda do jiu-jítsu, Hélio Gracie, Royler foi tetracampeão mundial e hoje mora em San Diego, nos Estados Unidos, onde ensina a modalidade. Para ele, o esporte se destaca pela qualidade que agrega ao cotidiano do praticante e não por questões de competitividade, ao contrário da luta da moda, o MMA (Artes Marcias Mistas, na sigla em inglês). "Se entrar em uma academia para fazer arte marcial, a primeira coisa que você procura é aprender a se defender, é o bem-estar, perder peso, se sentir bem, fazer amigos, por último é a competição, mas isso tem mudado. Aí você pensa, ‘não quero competir’ e é aí que mais da metade dessas pessoas resolvem parar de treinar, porque esbarram em caras que são competidores, truculentos", analisou.
Em sua palestra, ele aborda esses e outros temas para um público composto não apenas de lutadores ou praticantes. "A gente fala muito de defesa pessoal, tanto para criança como para adulto, da parte de competição também, mas a prioridade é o bem-estar. São três horas de bate papo e muita coisa prática", explicou.
Royler chegou a se arriscar no MMA, mas não ficou por lá muito tempo. Mesmo com o advento desta competição, ele ainda acredita que o jiu-jítsu é mais popular. "O MMA virou um esporte e um negócio financeiramente muito bom. É um esporte em que um grupo pequeno pratica. É uma coisa que atrai um público espectador muito grande, um circo é montado em cada cidade que o evento é realizado, envolve dinheiro e turismo muito grande, mas acredito que o jiu-jítsu cresce muito mais que o MMA. Conseguimos pegar uma criança de 3 ou 4 anos e ele vai lutar até os 80. No MMA não dá. É muito bom para os que são campeões, mas nem todo mundo consegue ser, nem todo mundo ganha dinheiro. No jiu-jítsu é mais tranquilo, mais relaxado, entra para aprender a se defender, para motivação pessoal. Fora a chance de se machucar. Que é grande no MMA", defendeu.
A família Gracie foi a responsável pela paixão do sheik Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, pela modalidade, a ponto de todas as escolas do país terem o jiu-jítsu na grade curricular. Todo ano, dezenas de brasileiros rumam para o país para ensinar o esporte e até treinar as tropas do Exército local. "O jiu-jítsu é um produto extremamente brasileiro, que conseguimos exportar para o mundo inteiro. O sheik é muito amigo nosso, ele acha maravilhoso, adora o jiu-jítsu, é faixa preta e fez do esporte obrigatório nas escolas", contou Royler.

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