Roteiro de cinema
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quinta-feira, 24 de maio de 2012
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
Através do esporte, milhares de crianças carentes brasileiras já conseguiram transformar suas vidas. Para a maioria delas, aproveitar a oportunidade no mundo esportivo acaba sendo a única saída para se livrar do mau caminho e dar uma verdadeira virada na vida. É seguindo este roteiro que o pequeno Gabriel Maciel, de apenas 13 anos, sonha dar uma vida melhor para sua família.
Morador do Jardim Morar Melhor, bairro simples da Zona Sul de Londrina, Gabriel passava boa parte do seu tempo na rua enquanto sua mãe trabalhava duro como empregada doméstica para poder sustentar a ele e sua irmã mais nova, Yasmin. No trabalho, Dona Jovina, muitas vezes, não conseguia se concentrar pensando na possibilidade dos filhos estarem próximos das más companhias.
A preocupação de Dona Jovina só teve fim em 2008, quando o filho conheceu o beisebol. Técnico da equipe de Londrina, Pedro Bando percorria escolas para falar sobre o esporte, ainda pouco divulgado no Brasil. Logo após a visita à Escola Estadual do Jardim Eldorado, onde estuda, Gabriel não teve dúvidas. Fez sua primeira aula e não parou mais.
Quatro vezes por semana, mais de 60 horas por mês, lá está o Gabriel treinando duro no campo da Acel, em Londrina. Dedicado e disciplinado, o pequeno atleta é elogiado por todos os treinadores. ''Além das características técnicas, ele tem disciplina e quando o jogo esquenta ele vira uma fera'', elogia o coordenador de beisebol da Acel, Miguel Nishihara. ''Ele é muito rápido e isso é fundamental no beisebol. Desde pequeno, dava pra ver que tem potencial. No meu time ele era o curinga'', conta Luiz Nakanishi, que foi o primeiro técnico de Gabriel na Acel, no time pré-infantil.
O reconhecimento pelo esforço fora e dentro de campo não demorou muito a acontecer. Junto com outros três companheiros da equipe pré-júnior (13 e 14 anos), o filho de Dona Jovina acaba de receber sua primeira chance na seleção brasileira. É a oportunidade que Gabriel queria para começar a escrever sua história de sucesso no esporte. ''Espero aproveitar essa chance, era meu sonho chegar à seleção'', disse o tímido garoto.
Com o time nacional, ele terá a oportunidade de conhecer os Estados Unidos, país dono da liga mais importante do mundo de beisebol e sonho de consumo para o futuro de sua carreira. ''Quero ser profissional, ficar famoso e jogar nos Estados Unidos, que é a casa do beisebol'', completou ele, que também já sabe o que fazer quando isso acontecer. ''Quero ajudar minha família, que me ajuda muito, e também as pessoas que precisam''.
A mãe, que hoje trabalha como auxiliar de serviços gerais e ganha menos da metade um salário mínimo, acompanha passo a passo a evolução do filho e não mede esforços para vê-lo vencer na vida. ''Tenho fé em Deus que ele vai conseguir. É um sonho dele e meu também'', disse ela, sem esquecer também de fazer um agradecimento especial. ''Só tenho a agradecer ao beisebol e todo o pessoal da Acel, que nos ajuda muito''.


