Janaina Tupan Frare
De Curitiba
Especial para a Folha
A paranaense Roseli Machado, 30 anos, vai ficar mais um ano longe das ruas de São Paulo, no dia 31 de dezembro. A decisão foi tomada na terça-feira à noite, mesmo depois de ter confirmado a sua inscrição na mais tradicional competição esportiva do País, a Corrida Internacional de São Silvestre.
‘‘Estou treinando cerca de 15 quilômetros por dia e recuperando a minha forma, mas o meu técnico (Carlos Alberto Cavalheiro – do Vasco/RJ) achou melhor dar mais um tempo e fazer uma preparação psicológica antes de voltar às competições’’, explica a atleta que ficou quase três anos afastada dos treinos por causa de uma cirurgia que fez na região dos glúteos. ‘‘No início, era uma tendinite crônica no quadril, mas depois, descobriu-se que era decorrente da coluna’’, diz ela, que quase foi parar em uma cadeira de rodas.
Roseli já tinha passado por outras duas cirurgias delicadas. Em 1990 foi obrigada a operar os ligamentos do joelho esquerdo. Após a operação ficou dois anos sem treinar, mas conseguiu se recuperar e apenas o andar manco a faz lembrar da cirurgia. Em 1996, quando venceu a São Silvestre, chamou a atenção de especialistas por correr toda a prova, dando a impressão que puxava a perna. ‘‘Eu manco mesmo’’, diz ela. ‘‘Isso não me atrapalha correr’’, completa.
A paranaense de Santana do Itararé, Norte do Estado, foi a segunda brasileira a vencer a prova feminina da São Silvestre. Em 1996, primeira e única vez que correu a mesma, venceu os 15 quilômetros com o tempo de 52min32s. ‘‘Eu acredito muito em mim e em Deus. Desde a largada, eu sabia que a vitória era minha’’, relembra.
Hoje Roseli mora em Curitiba, onde tem uma academia, e compete pelo Vasco. ‘‘Infelizmente, o governo do Paraná e os empresários do nosso Estado estão com os olhos e as portas fechadas para o esporte’’, diz a atleta, mostrando sua indignação. ‘‘Temos que sair daqui para sermos valorizados. Santo de casa não faz milagre’’, completa.
Quando venceu a São Silvestre, Roseli recebeu um telegrama do próprio governador parabenizando-a pela conquista. Mas logo em seguida, quando enfrentou os problemas de saúde, perdeu o patrocínio da Seguradora Gralha Azul, empresa do grupo Banestado, do Governo do Estado do Paraná.

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