Roseli, campeã de 96, não vai correr
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segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Da Redação e Agência Estado 
Dores não especificadas no quadril impedirão que a atleta paranaense Roseli Machado participe da prova internacional de São Silvestre, na quinta-feira. Campeã em 1996, Roseli sofre com as sequelas de uma cirurgia malsucedida, que a impede até de treinar. Segundo seu treinador, Marco Antônio de Oliveira, a atleta deverá viajar para Atlanta, nos Estados Unidos, em janeiro, quando pretende fazer uma avaliação em um centro de recuperação esportiva. O problema de Roseli é uma complicação no ísquio tibial (entre a musculatura e o tendão) que, se não for solucionada, poderá antecipar sua aposentadoria no atletismo.
Abatida com o problema, Roseli não quer dar entrevistas. Prefere aguardar o resultado do exame na clínica norte-americana. A atleta paranaense tem um histórico físico conturbado. Depois de um acidente automobilístico em 1989, Roseli rompeu os ligamentos do joelho esquerdo. Submetida a uma cirurgia, no início de 1990, a fundista não resolveu o problema - foi necessário arrancar os grampos colocados na região, o que provocou a diminuição de 0,8 centímetros no comprimento da perna esquerda.
Aplicada na fisioterapia, Roseli conseguiu recuperar a forma (depois de engordar 12 quilos) e despontar como uma das melhores fundistas brasileiras. Além da São Silvestre de 96, a atleta venceu ainda a Corrida de San Fernando, no Uruguai, no ano seguinte.
Com o aumento das dores no quadril, Roseli submeteu-se novamente a uma cirurgia, sem conseguir o resultado esperado. Sem competir, deixou de ganhar os prêmios de participação em provas importantes e ainda perdeu o contrato que mantinha com a equipe Funilense.
Com a ausência de Roseli Machado, a chance brasileira de conseguir um lugar entre os primeiros da São Silvestre fica com Viviany Anderson, Nadir Sabino e Cleuza Maria Irineu. As maiores possibilidades de vitória, porém, ficam com a equatoriana Martha Tenório, campeã da prova no ano passado. As inscrições para a prova de São Silvestre serão aceitas até hoje, no horário das 9 às 18 horas.
AntidopingTodos os cinco primeiros colocados, tanto na prova masculina como na feminina, serão submetidos a exames antidoping. A medida segue uma orientação da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf). Nunca tivemos nenhum resultado positivo, comenta o consultor da prova, Agberto Guimarães. O rigor do exame foi reforçado depois que a temporada no atletismo foi marcada pela divulgação de resultados positivos de atletas de ponta, como o lançador de peso Paul Edwards e o velocista Dennis Mitchel.
A São Silvestre não terá modificação no esquema de largada. Isso porque o número de inscritos não ultrapassou a marca de 12 mil - a perspectiva é ter cerca de 11 mil concorrentes, número semelhante ao do ano passado.
Chegam atletasA partir de hoje, a cidade de São Paulo começa a receber os principais nomes do atletismo mundial para a disputa da 74ª Corrida Internacional de São Silvestre, a principal prova de rua da América Latina, evento que encerra o ano esportivo no dia 31. Nomes como Paul Tergat (Quênia), recordista mundial da meia-maratona e bicampeão da prova; German Silva (México), bicampeão da Maratona de Nova York; Martha Tenório (Equador), atual campeã no feminino; e os brasileiros Emerson Iser Bem, vencedor no ano passado, e Ronaldo da Costa, campeão em 94 e detentor da melhor marca do mundo para a maratona, chegam à cidade até quarta-feira. A largada do feminino acontece às 15h15, em frente ao Masp, enquanto a do masculino será a partir das 17 horas, no mesmo local. Entre treinos de adaptação, previstos para o Parque do Ibirapuera em dois períodos, manhã e tarde, haverá passeios pela cidade, e entrevistas coletivas para a imprensa.


