Ulsan - Semana passada era Ronaldo. Agora, é Ronaldinho Gaúcho quem anda cabisbaixo em Ulsan. Como se estivessem em uma gangorra, os xarás vivem momentos opostos. O último coletivo da equipe antes do jogo contra a China, a segunda partida na Copa, Ronaldinho terminou entre os reservas. Aquele que há duas semanas era a maior esperança do Brasil no torneio tem hoje sua vaga ameaçada no time titular.
O lado de Ronaldinho, 22 anos, na gangorra começou a baixar na estréia contra a Turquia. Enquanto ele, perdido em campo, descia, Ronaldo, 25, autor do primeiro gol na vitória por 2 a 1, se reerguia.
O gaúcho Ronaldinho passou a ser apontado como a maior revelação do time, candidato a roubar a cena das estrelas na Copa. Parece ter sentido a pressão. ‘‘Meu pensamento nunca foi o de ser o destaque. Sempre disse que queria defender o Brasil’’, esquiva-se, menos risonho e brincalhão do que de costume. ‘‘Ele tem que aproveitar as oportunidades, correr atrás. O Juninho fez isso’’, disse Scolari.
Já Ronaldo, o ‘‘Nazário’’ (sobrenome do jogador), como gosta de gritar Scolari nos treinos, revigorou-se com o gol na estréia. A nuvem de preocupação que o acompanhou semana passada, suscitando desconfianças até do próprio treinador, dissipou-se.
Mais leve, o atacante da Inter teve boa movimentação no coletivo e batalha em busca da forma perdida após seguidas contusões.
No final do treino de ontem, Scolari comandou um ensaio de cobranças de faltas com a bola rolada na entrada da área. Do outro lado do campo, Ronaldo trabalhava finalizações, arremates, com o auxiliar Flávio Teixeira.
Ronaldinho, um dos principais cobradores do Brasil, foi mal. Carimbou a barreira seguidas vezes. Quando escapava dos bonecos usados na formação, mandava a bola longe.
Ronaldo, por sua vez, não dava descanso ao goleiro Rogério e recebia aplausos de Teixeira e de Scolari: ‘‘Ele vem se esforçando nos treinamentos para completar alguma coisa que a gente solicita, mas ainda tem um bom caminho pela frente. É mérito dele essa evolução, mínima, mas que dá uma possibilidade de um crescimento futuro’’, disse o treinador.
Os dois Ronaldos, à parte os goleiros, foram os últimos a deixar o campo. O mais velho, o ‘‘Nazário’’ não deu entrevistas. Pediu que assessoria da CBF avisasse: falará dia sim, dia não. (Agência Folha)

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