O atacante Ronaldinho teve um ataque epilético, no dia da final da Copa do Mundo entre Brasil e França, e não uma convulsão, como diagnosticou o médico da Seleção Brasileira, Lídio Toledo. A conclusão é do lateral-esquerdo Roberto Carlos, que dividia o quarto 290 com o jogador, no momento da crise. ‘‘A forma horrível como o Ronaldinho reagiu, com o corpo todo tenso e salivando no canto da boca, não me convenceu de se tratar apenas de uma convulsão’’, disse ontem o lateral, em entrevista coletiva. ‘‘Realmente mais parecia uma crise de epilepsia.’’
Roberto Carlos esperou o pronunciamento oficial do médico da Seleção para comentar o assunto. ‘‘Quando soube que era uma convulsão, achei estranho, pois já havia comentado com outras pessoas, alguns médicos, que também acreditavam em ataque epilético.’’ Segundo o lateral, também o atacante Edmundo está convencido de não ser uma convulsão.
As consequências do problema, porém, não provocam divergências. ‘‘Começamos a perder a Copa do Mundo às 14h15, quando o Ronaldinho teve a crise’’, afirmou. Segundo o lateral, a reação dos jogadores foi desesperada, com correrias pelos corredores e portas batendo. Mesmo depois de a situação se acalmar, quando todos voltaram ao descanso, o clima não era o mesmo.
‘‘Deixamos o hotel calados, preocupados com a saúde do nosso amigo.’’ Até os funcionários do Chatêau de Grande Romaine, onde a Seleção se concentrou, estranharam a apatia da equipe. ‘‘Estávamos preocupados com a possibilidade de o Ronaldo ter algum problema em campo.’’
Segundo Roberto Carlos, o atacante não se lembrava nada do que havia acontecido e soube apenas pelo médico da Seleção, no momento em que se dirigia a uma clínica fazer exames. ‘‘Ele não entendia o motivo de sentir muitas dores no corpo, enquanto eu estava louco para contar.’’
Outro problema que precisou ser rapidamente solucionado era o ânimo do atacante Edmundo, inicialmente escalado para jogar até a confirmação de Ronaldinho. ‘‘Pedi ao Bebeto para conversar com ele e tranquilizar’’, afirmou Roberto Carlos, agradecido ao atacante. ‘‘Edmundo foi um dos que mais ajudou o time a manter sua confiança.’’
A disposição de Ronaldinho em jogar a final foi apoiada pelo lateral, que tomaria a mesma decisão. A tensão era traduzida em gestos impensados, durante a partida. Roberto Carlos, por exemplo, chutou a bandeira de escanteio, no lance que resultou no primeiro gol da França. ‘‘Sinceramente não sei o que estava fazendo’’, justificou. ‘‘Depois, até pedi desculpas ao juiz (o marroquino Said Belqola).’’
Roberto Carlos novamente defendeu-se das críticas sobre sua atuação na Copa do Mundo. Considerando excessivo o pessimismo com que foi analisado o desempenho da Seleção (‘‘fomos elogiados pelos europeus’’), ele garantiu ter feito o que o técnico Zagallo pediu. ‘‘Tanto ele como Zico diziam estar satisfeitos.’’
Para ele, dois problemas prejudicaram sua atuação: um problema crônico de unha encravada (que se agravou na véspera da Copa, depois de uma partida contra a Inter) e o peso da bola, mais leve. ‘‘Tive pouco tempo para me adaptar’’, justifica. Roberto Carlos, que volta à Espanha no dia 4, disse ter aprendido muito com a derrota. ‘‘Só tive conquistas em minha carreira’’, comentou. ‘‘Agora, depois de ter perdido, penso diferente.’’

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