Dortmund - Antes de o jogo começar, Ronaldo era só alegria. Nem lembrava aquele mesmo jogador que, na decisão de 1998, momentos antes da partida, estava em um hospital em Paris fazendo exames médicos. Ontem ele chegou cantando com os companheiros no ônibus da delegação. Todos, em coro, gritavam uma frase perigosa, cantando vitória antes do tempo para tentar espantar de vez o fantasma do Stade de France e adivinhar quem iria brilhar em campo desta vez: ''Ê, f...., o Ronaldo emagreceu!''
Com um sorriso estampado no rosto e mostrando confiança a todo momento, Ronaldo encontrou outro protagonista da Copa de 98: Zinedine Zidane. Os dois se abraçaram e cochicharam frases que poderiam ser de incentivo. Ronaldo não sabia, mas precisaria muito delas...
Com suas chuteiras amarelas que reluziam como ouro, aquele que já foi chamado de Fenômeno sentiu que o jogo seria dureza para ele desde o início. Sozinho na área, ele voltava para buscar jogo. Ao contrário da lenda de Midas, o rei que transformava em ouro tudo que tocava, Ronaldo estava mais enferrujado do que nunca.
Aos dez minutos, ele tentou cabecear uma bola. Seria um repeteco do gol que marcou no Japão? Não desta vez. Sua especialidade mesmo são os pés. Ou as mãos. Com elas Ronaldo tocou a bola a poucos metros da área brasileira e proporcionou falta perigosa que os franceses não souberam tira proveito.
Somente aos 14 minutos ele ensaiou uma arrancada, mas não teve gás suficiente para prosseguir. Além disso, no primeiro tempo, apenas um passe para o apagado Kaká, mas a zaga francesa afastou. Apesar da atuação discreta, toda vez que uma bola era lançada para Ronaldo no primeiro tempo, a torcida se levantava, com esperança. Nada adiantou.
Ronaldo passou todo o segundo tempo sem ver a cor da bola. O primeiro chute só veio aos 40 minutos, mas saiu torto, sem direção, para fora. Quando o desespero já tomava conta da seleção, Ronaldo, nos acréscimos, deu o primeiro chute a gol, mas Barthez defendeu e nenhum jogador brasileiro aproveitou o rebote.
Fim de jogo. Brasil, mais uma vez, eliminado pela França. Ronaldo caminha em direção ao vestiário com um semblante tranquilo, sem choro nem lamento, mas talvez pensando: ''desta vez não podem colocar a culpa em mim''.
O melhor Zinedine Zidane, 34 anos, começou o jogo de ontem como um veterano que poderia se aposentar caso fosse derrotado. Após excelente atuação, o meia levou a França à vitória e foi eleito o melhor em campo pela Fifa. A decisão sobre o ''homem do jogo'' nesta Copa do Mundo tem sido marcada por polêmicas. Mas, na partida de ontem, o grupo técnico da Fifa não deve ter encontrado problemas para se decidir pelo meia francês, que comandou a equipe e deu o passe para o gol de Thierry Henry.
''Estamos muito felizes. Vamos tentar chegar à final, não podemos parar por aí. Mas é tão bonito, é tão bom, que nós temos vontade de continuar, sentimos que temos muito a mostrar. Mais dois (jogos), mais dois... será perfeito'', disse o jogador após a partida.

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