Konigstein, Alemanha - A floresta tornou-se cinza, as aves se calaram. Quando Ronaldo pisou no gramado, a verde e ensolarada primavera tornou-se uma bolha de chuva e frio. Em clima de Copa do Mundo, os ventos mudam facilmente.
O azul começou a surgir, quando o cruzamento quicou na área e caiu no pé esquerdo do craque. Sem dominar, mandou a bola para as redes junto com a desconfiança que cercava sua participação no treino de ontem. O chute pegou na veia, um pouco acima das cinco bolhas que o tiraram do amistoso com a Nova Zelândia.
Entre os pés do craque e o patrocinador não há mais atrito aparente. Suas chuteiras foram alargadas e as feridas começam a cicatrizar. Enquanto Ronaldo sorria, o sol voltava a brilhar no lindo fim de tarde alemão. ''Aquele pé dele ainda vai dar muita alegria para a gente'', disse o capitão Cafu.
Ronaldo está calejado em sua caminhada rumo a artilharia. Nas duas Copas que disputou como titular, fez 12 gols em 14 jogos. Salvo pelo curativo, que ainda protege o machucado, nada mudou nos pés do craque. O oportunismo e a movimentação, nem sempre interessada, foram as mesmas que Ronaldo exibira nas duas semanas de treinos na Suíça. Para um jogador que enfrentou problemas musculares no ano, romper bolhas é superficial. Com o fôlego e o espírito renovados pelo ar puro de uma cidade encravada no verde, Ronaldo traz esperanças: ''Ele está cada vez melhor'', disse o preparador-físico Paulo Paixão.
Pela manhã, o atacante, ainda de tênis, correu levemente em volta do campo. Já de chuteiras, participou de um treino de dois toques com os reservas enquanto os titulares repetiam jogadas de bola parada. ''Se a Copa fosse hoje, Ronaldo estaria em campo'', disse o médico José Luís Runco. ''Foi decisão do treinador, deixá-lo fora das finalizações, mas ele não tem qualquer impedimento''.
A uma semana da estréia, Ronaldo tem na Alemanha a medida certa entre o repouso e os últimos ajustes. O centro de treinamentos do Brasil fica cercado por rios e montanhas. Do alto, pode se ver ao longe os arranha-céus de Frankfurt, num sinal de que a tensão da Copa está logo ali.
Apesar das feridas no marketing, o problema mostrou que Ronaldo é capaz de defender o Brasil até com os pés em carne viva. A tempestade que se armou era passageira. Quando o sol e os gols de Ronaldo voltaram, Köonigstein já estava de alma lavada.

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