São Paulo - Confrontado com a pressão de torcedores e dirigentes, o atacante Ronaldo, 25 anos, artilheiro da Copa do Mundo, recuou em sua posição, até segunda-feira irredutível, de deixar a Inter de Milão. Durante uma reunião com o diretor-geral do clube, Rinaldo Ghelfi, ontem, na cidade italiana, a assessoria do jogador informou que ele pode continuar na Inter, caso seja convencido pelo presidente do time, Massimo Moratti.
''Ronaldo quer dizer ao presidente o que pensa, o que está sentindo. Se o presidente convencê-lo a ficar, ele não dará as costas à Inter'', declarou o assessor de imprensa do atacante, Rodrigo Paiva, que o acompanha na Itália. A conversa de Ronaldo com o dirigente deverá acontecer hoje.
A postura adotada pelo atleta é bem diferente da dos últimos dias, quando deixou claro que sairia da Inter de Milão e deu vazão às especulações de sua transferência para o Real Madrid (Espanha). O recuo de Ronaldo pode ser também um jogo de cena para não agravar a insatisfação da torcida da Inter com a sua postura.
Ontem, no aeroporto de Milão, cerca de 50 torcedores aguardavam Ronaldo para protestar contra o jogador. Seguravam uma enorme faixa verde-amarela onde estava escrito ''Ingrato''. O atacante deixou o local sem passar pelos manifestantes entrou num carro ainda na pista do aeroporto milanês.
O próprio Massimo Moratti deu mostras de que não pretende deixar Ronaldo, que teve sua imagem valorizada após a Copa, abandonar o clube facilmente.
''Se estamos lhe pagando há três anos sem que ele jogue, podemos continuar fazendo (o mesmo) por outros três somente para que respeite seu contrato'', disse Moratti à imprensa italiana, em referência às seguidas contusões de Ronaldo ''toleradas'' pela clube.
Os torcedores que esperavam o jogador no aeroporto estavam revoltados. ''Eu o amava, mas agora o odeio'', afirmou um deles, identificado apenas como Patrizio.
Até o presidente da região da Lombardia (onde Milão está localizada), Roberto Formigoni, entrou na discussão, ao afirmar que os torcedores foram ''traídos'' após terem dedicado ''tanta atenção e tanto amor'' ao atacante.
O assessor de Ronaldo disse que o atleta ''não está aqui (em Milão) para falar do Real Madrid, e sim de sua vida, de seus problemas pessoais e do futuro da Inter''.
Rodrigo Paiva negou que a insatisfação de Ronaldo no clube seja com o técnico Héctor Cúper. ''O problema não é Cúper, não é dinheiro, não é Milão'', disse, sem maiores explicações.
Moratti disse em entrevistas publicadas no fim-de-semana que não deixaria Ronaldo sair do clube por menos de 100 milhões de euros (US$ 97,37 milhões). Domingo, um dos procuradores do jogador, Alexandre Martins, disse a jornais espanhóis que Ronaldo gostaria de jogar no Real para recuperar ''a satisfação em jogar futebol''.

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