São Paulo - Uma infiltração de xilocaína no joelho direito foi a causa da convulsão que Ronaldinho sofreu horas antes da final da Copa da França em 1998. A revelação está em reportagem de Jorge Kajuru publicada na revista ‘‘LANCEA+’’ de ontem. De acordo com a informação, a injeção atingiu uma veia do joelho do atacante e espalhou xilocaína em sua corrente sanguínea, provocando a convulsão.
Aquela infiltração que acabou provocando a convulsão no atacante e quase o tirando da final foi a oitava recebida pelo atacante nos 32 dias entre o primeiro jogo, contra a Escócia, e o último jogo da Copa de 1998, contra a França. O jogador sentia fortes dores no joelho direito durante toda a competição e a infiltração tinha o objetivo de aliviar as dores e permitir que Ronaldinho participasse dos jogos.
Principal astro da equipe, ele jogou todas as sete partidas da Seleção na Copa da França, sem ser substituído em uma sequer, inclusive na semifinal contra a Holanda, que teve mais 30 minutos de prorrogação e disputa de pênaltis. A convulsão no dia da decisão contra a França deixou todos os jogadores da Seleção muito assustados e, de acordo com vários deles, afetou na atuação da equipe, que acabou sendo derrotada facilmente pelos franceses por 3 a 0. O atacante Bebeto chegou a declarar na época que um dia toda a verdade viria à tona.
Segundo Jorge Kajuru, Ronaldinho começou a se sentir mal e entrar em convulsão dez minutos após a aplicação da xilocaína, que é um analgésico local usado em tratamentos dentários e cardiacos, além de cirurgias. Ela reduz a sensação de cansaço e entre os efeitos colaterais do medicamento está a diminuição do ritmo do batimento cardíaco.
A matéria acrescenta que a xilocaína, ao atingir a corrente sanguínea, pode causar paralisação da língua, delírio, visão desfocada e tremores, seguido por sono, convulsão, inconsciência e possibilidade de parada respiratória. Foram exatamente estes os sintomas relatados pelo lateral-esquerdo Roberto Carlos, que era o companheiro de quarto de Ronaldinho, diversas vezes em entrevistas aos mais variados órgãos de imprensa do Brasil e do mundo.
A fonte da informação, de acordo com Kajuru, é um amigo de Ronaldinho, que teria ouvido a história do próprio jogador, mas que preferiu não se identificar.
O médico Lídio Toledo nega que tenha feito uma infiltração de xilocaína no joelho direito de Ronaldo. ‘‘Eu já repeti mais de mil vezes. O Ronaldo não recebeu infiltração alguma na Copa do Mundo. Nunca fiz infiltração em pacientes do meu consultório, ainda mais em jogador profissional. Você acha que sou louco?’’, perguntou Lídio Toledo, um dos médicos do Brasil na França.

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