Ronaldo rebate críticas e pede respeito
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quinta-feira, 06 de maio de 2010
Raphael Ramos<br> Agência Estado 
São Paulo - Até para aquele que já viveu altos e baixos de uma carreira cheia de glórias e fracassos e recentemente disse que tinha as costas largas para segurar as críticas, a eliminação na Libertadores diante do Flamengo foi um duro golpe. Ronaldo, que se definiu ontem cada vez mais corintiano, não escondeu a tristeza. Em dado momento da entrevista coletiva que concedeu no Parque São Jorge chegou a ficar com os olhos marejados.
O Fenômeno lamentou bastante a queda no torneio eleito como prioridade na temporada alvinegra. Mas ressaltou que o Corinthians não tem muito tempo a perder. No domingo, a equipe estreia no Campeonato Brasileiro contra o Atlético Paranaense, no Pacaembu, e não pode vacilar. ''O Corinthians é muito grande e temos de pensar sempre nas melhores coisas para o Corinthians. O Brasileiro é a grande chance de a gente se reafirmar. Conquistar a vaga para a Libertadores é o grande objetivo'', afirmou. ''Temos uma grande responsabilidade''.
Apesar de ter contrato até 2011, o Nacional deve ser a última competição que Ronaldo disputará pelo Corinthians. Ontem, ele deixou mais uma vez no ar a possibilidade de encerrar a carreira no fim do ano - seu acordo com o clube prevê que ele pode parar de jogar sem ter de pagar multa rescisória. ''Está cada vez mais próximo (a aposentadoria) porque é inevitável'', disse. ''Mas pode deixar que não vou deixar que parem comigo. Quando sentir que não estou mais me divertindo, eu vou parar''.
Fora de forma, ele precisou ser poupado de alguns jogos este ano. E desabafou quando questionado sobre uma possível falta de comprometimento durante os treinamentos. ''Tenho 33 anos, oito operações no meu corpo e muitas dores'', queixou-se, com a fala pausada e os olhos cheio de lágrimas.
O Fenômeno pediu respeito e usou o ex-jogador de basquete Michael Jordan como exemplo. Para ele, as críticas após derrotas acabam se voltando para o lado pessoal, algo que abomina. ''Tenho uma admiração muito grande pelos Estados Unidos porque lá ídolo é realmente ídolo. Ele chega a ser intocável. Falam do Michael Jordan como se fosse um Deus. Não pretendo isso para mim aqui no Brasil, mas o atleta precisa ser mais respeitado'', disse.
O Fenômeno afirmou ainda que não conseguiu dormir direito após o jogo contra o Flamengo. Quando chegou em casa, ainda viu a reprise do jogo. ''A cabeça estava a mil por hora''.
Ele equiparou a queda na Libertadores a uma eliminação na Copa do Mundo. E o fato de o Flamengo (seu clube de infância) ser o algoz, não diminuiu a sua frustração. O atacante, inclusive, disse que não fará como em 2009, quando o Corinthians não tinha mais chances de ser campeão e ele afirmou que passaria a torcer para o Flamengo ganhar o Brasileirão. ''Sou corintiano e admiro o bom futebol. Não tenho preferência que não seja o Corinthians''.


