Rio - De volta de novo. Nesta semana o atacante Ronaldo, 32 anos, começa a participar de treinos coletivos no Flamengo. Em 17 de novembro, em Fez, no Marrocos, vai estar num jogo de 90 minutos: o amistoso da ONU, Amigos de Zidane x Amigos de Ronaldo, evento que em cinco edições já arrecadou mais de US$ 2,5 milhões para populações carentes. Se já está sendo procurado por vários clubes para fazer contrato, entre eles o próprio Flamengo, a partir do jogo Ronaldo tende a ser ainda mais visado. Só então vai decidir o endereço onde vai recomeçar sua carreira profissional a partir de janeiro.
Além dos que já divulgaram interesse em Ronaldo, como o Manchester City e o Paris Saint-Germain, há muitos outros - e de todos os continentes. Há até mesmo um clube italiano que não é o Milan, onde Ronaldo jogou até fevereiro passado, quando sofreu sua segunda ruptura no tendão patelar, desta vez no joelho direito (na outra vez, em 2000, Ronaldo levou um ano e meio para voltar). ''Tudo correu muito bem'', diz ele. ''Já estou recuperado da lesão, com flexão e força totais da perna. Agora é continuar entrando em forma.''
No jogo da ONU, a expectativa é ver Ronaldo dando piques de 30 metros e pedaladas nos zagueiros, tirando de vez as dúvidas sobre sua forma física.
Ronaldo diz que tem condições de competir antes de janeiro, mas que optou por esperar a virada de ano, período em que a janela de transferência para os clubes europeus - e mesmo os brasileiros - se reabre. Ele não descarta jogar o Campeonato Carioca pelo Flamengo, mais ou menos como fez Adriano no São Paulo no primeiro semestre deste ano, para ganhar ritmo de jogo antes de voltar ao exterior.
As negociações com seu clube de coração, porém, esbarram em garantias de patrocínio e participação.
Em longa entrevista sobre sua carreira, que circula na edição da revista Trip que chegou ontem às bancas, Ronaldo sintetizou seu estado com a seguinte frase: ''Minha história está feita. Tem algumas páginas ainda em branco, mas está feita''.
Ele mostra consciência de que as pessoas sempre esperam a volta do Fenômeno, o jogador que deslumbrou o mundo aos 20 anos atuando pelo Barcelona e pela Inter de Milão, fazendo muitos gols, dando arrancadas desconcertantes e sendo duas vezes o melhor da Fifa, em 1996 e 1997. O terceiro título de melhor do mundo - que apenas ele e Zidane detêm até o momento - veio em 2002, quando frustrou agouros, marcou oito gols na Copa e foi campeão.
''Eu também queria ser para sempre aquele garoto do Barcelona'', confessa Ronaldo. Apesar de lamentar pelas lesões que mudaram sua carreira, seu balanço é o de que nela ''deu tudo certo'', pelos clubes em que jogou e títulos que conquistou. Seu desejo agora é encerrar a carreira daqui a alguns anos ''por decisão própria, e não obrigado'' por alguma lesão ou circunstância. ''Quero terminar marcando gols.'' Ele diz que vai voltar em alto nível, ambicionando até mesmo a seleção brasileira. Sobre ela, afirma ser antiético comentar de fora. Mas sabe que ela não tem agradado aos torcedores.

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