O atacante Ronaldo, da Internazionale de Milão, pagou a multa de R$ 293 mil que devia à Receita Federal até o dia 30 de novembro do ano passado?. A cobrança, por atraso nas declarações de renda de 1994 e 1995, consta do material recebido pela CPI da CBF/Nike, mas o presidente da comissão, Aldo Rebelo (PC do B-SP), acredita que já pode ter sido quitada. A dúvida é porque a documentação recebida não está atualizada. Caso ele não tenha pago, teria mentindo ao declarar no seu depoimento que estava em dia com suas contas no País. ‘‘Haveria, então, uma pena moral’’, afirmou Rebelo. ‘‘Mas é possível que ele não tenha se lembrado do fato ou então que o valor já tenha sido pago de novembro para cᒒ.
O deputado disse que não gostou do depoimento do atacante, por achar que ele foi ‘‘usado’’ para defender a Nike e porque teria demonstrado que atendeu ao convite da comissão ‘‘preparado para não responder aquilo que era essencial’’. ‘‘Minhas impressão é que a Nike usou nosso Ronaldinho para defender seus interesses’’, disse. Rebelo apoiou seus colegas que fizeram perguntas sem objetividade. Segundo ele, é natural que se façam indagações ‘‘numa área de risco’’, que podem resultar em boas ou más respostas, dependendo da boa vontade do depoente. Para o parlamentar, a CPI procurou agir sem explorar as relações entre Ronaldo e a patrocinadora Nike, mas ele fez questão de mudar o rumo da conversa, ao defender que, se fosse a empresa, sairia do País.
‘‘Por que a empresa não sai dos países onde utiliza mão-de-obra infantil ou até escrava?’’, perguntou. Ele disse esperar uma demonstração de ‘‘boa vontade’’ da empresa com o envio à CPI do contrato que mantém com o atacante da Inter. Ronaldo também foi intimado pela comissão a encaminhar o documento. Aldo Rebelo disse que a negativa de ambos importará na adoção de ‘‘medidas legais’’, mas não especificou quais são elas. O gerente de comunicação da Nike, Ingo Ostrovsky, negou ontem que a empresa utilize mão-de-obra infantil ou escrava ou que tenha se valido do depoimento do atacante Ronaldinho para se defender. ‘‘Negamos categoricamente que isso tenha ocorrido’’, afirmou. Segundo ele, a empresa tem um código de conduta que impede qualquer tipo de procedimento antiético ou contrário à legislação dos países onde investe.

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