Ronaldo, o titular dos holofotes
Konigstein - Se deixar de justificar o apelido dado pelos italianos por seu arrebatador desempenho em campo, Ronaldo tem direito adquirido de manter a patente ''Fenômeno'' pelo lado da comunicação. Faz oito anos que o inquilino da camisa 9 canarinho é a principal notícia do mais famoso dos times. Adriano faz gols decisivos, Ronaldinho Gaúcho vira o maior do mundo, Kaká resolve a estréia na Copa mas Ronaldo é titular absoluto do centro dos holofotes.
Até rolar a bola do Mundial, ele até andou ofuscado pela idolatria ao xará da camisa 10. Mas sua atuação trágica diante da Croácia devolveu-lhe o posto de protagonista. Na jornada de Berlim, Adriano não conseguiu dominar bola alguma, Ronaldinho Gaúcho ficou devendo, mas deles pouco (ou nada) se fala. Falta-lhes a vocação da controvérsia que sobra em Ronaldo e que garantiu ao atacante a condição de alvo de todas as câmeras e motivo de empurra-empurra de jornalistas.
São os fatos que mudam para não mudar o cenário vigente há oito anos ou três Copas do Mundo: Ronaldo é o assunto. Sexta-feira, o ''Höchster Kreisblatt'' publicou no alto da página o artigo ''Nocaute em Ronaldo'' cheio de especulações sobre o estado do superstar brasileiro.
O cantor Ivan Lins, em e-mail ao colunista do ''Globo'' Fernando Calazans, também tratou do assunto. ''Ninguém percebe que ele é um menino (ainda!) sensível, fechado, que se frangalha facilmente por dentro, mas que tenta manter as aparências porque tem de ser macho (enfiaram isso na cabeça dele a vida inteira), pois é o que esperam dele. Tenho certeza absoluta que, quando ele anda em campo parecendo um zumbi, está em frangalhos por dentro, mas por fora... Macho, tenho que ser macho!''
O mundo inteiro que presta atenção em futebol não fala noutra coisa. E as dúvidas mudaram a ordem da fila de solicitações para entrevistas na seleção brasileira. Há três semanas, Ronaldinho Gaúcho liderava a lista, mas seu reinado foi interrompido pela saga de bolhas, discotecas, febre, bate-boca com o presidente, tontura, náuseas e futebol microscópico do astro careca. Esta semana, a maioria dos pedidos de entrevista do mundo todo tinha um nome: Ronaldo. Seus dois assessores acumularam outras 30 requisições, todas recusadas sob o argumento de que ''é hora de calar, não de falar''.
Além da zona mista, Ronaldo guardou silêncio a semana toda e o hábito de conversar com meia dúzia de interlocutores, no celular e pela internet. Até com os amigos preferiu se calar, limitando a confessar sua chateação com o pífio desempenho da terça-feira.
Muito desse interesse está no mistério. A trajetória de Ronaldo tem gols em profusão e perguntas por responder, também. O primeiro capítulo da saga ocorreu há oito anos, em Paris, na final da Copa de 1998. O atacante sofreu uma convulsão jamais explicada. Quatro anos depois, quando ninguém acreditava nele por causa da grave contusão no joelho, ressurgiu espetacular, garantindo o penta com dois gols na final e tornando-se o primeiro artilheiro brasileiro da competição desde Ademir Menezes, em 1950.
Neste domingo, o Brasil e o mundo começarão a saber para que lado vai balançar o pêndulo de Ronaldo. E, como sempre, será difícil mudar de assunto. (Agência O Globo)





