O atacante Ronaldo, da Inter de Milão, pode ter se complicado no depoimento que prestou ontem na Superintendência da Polícia Federal-RJ, no inquérito que apura seu suposto envolvimento no crime de ‘‘descaminho’’ – sonegação de imposto sobre objeto adquirido no exterior. Ronaldo teria comprado mercadorias no valor de R$ 21 mil em Ciudad del Leste, no Paraguai, durante a Copa América, realizada nos meses de junho e julho do ano passado.
O jogador explicou-se por 1h45 ao delegado Jairo Kullmann e, na saída do prédio, negou-se a dar declarações. Mas, segundo o seu fisioterapeuta particular e da Seleção Brasileira, Nílton Petrone, conhecido por Filé, que o acompanhou à Polícia, o atacante confirmou no depoimento que comprou um relógio em Ciudad del Este, no valor de aproximadamente US$ 130, e lhe deu de presente pelo seu aniversário, comemorado no dia 7 de julho, data da compra.
Para o delegado da Polícia Federal de Foz do Iguaçu, Jessé Ferry, responsável pelo inquérito, o jogador pode se prejudicar, caso seja confirmado, em seu depoimento, que comprou mesmo um relógio. ‘‘Ele pode estar metendo os pés pelas mãos, porque no dia em que os revistei (refere-se a Ronaldo e outros jogadores), quando chegaram de helicóptero de Ciudad del Este, nada foi encontrado e a Receita Federal também nega que eles tenham declarado algo’’, revelou o delegado. ‘‘Pode ter sido o advogado que o instruiu errado, pois até agora ninguém veio aqui pedir cópia do processo.’’ Se for condenado, Ronaldo pode cumprir pena de um a quatro anos de detenção.
Apesar de afirmar que Ronaldo fez compras no Paraguai, Filé garantiu que o jogador não ultrapassou o limite permitido pela Receita. ‘‘Não é possível que ele tenha estourado a cota de US$ 500, porque o Ronaldo disse que custou menos’’, disse o fisioterapeuta, alegando ter adquirido somente dois frascos de perfume durante as compras em um shopping paraguaio.

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