Teresópolis - Ronaldo admitiu ontem aquilo que seus companheiros se esforçaram na véspera para negar: está em má fase. O atacante do Real Madrid agradeceu bastante o empenho dos colegas de seleção na tentativa de reanimá-lo, mas reconheceu que precisa, urgentemente, voltar a fazer o que sabe: gols. ''Estou numa fase difícil no clube. Os gols não estão saindo. Até tenho feito bons jogos, mas o público quer é ver gol, e eu não os tenho feito'', disse o Fenômeno.
A pressão sobre o atacante não é só dentro de campo, mas também fora dele. Considerado pelo técnico Parreira uma ''celebridade'', Ronaldo está tendo de aprender a conviver com as vaias. No jogo de domingo pelo Real Madrid, contra o Málaga, chegou a atirar uma garrafa de plástico em torcedores que o criticavam.
''É difícil não ficar de cabeça quente quando ofendem sua mãe e cometem um ato racista'', disse Ronaldo, sem revelar as ofensas, mas admitindo que o racismo o tem incomodado bastante. ''Atrapalha, mas é coisa de uma minoria de ignorantes''. Ainda sobre o incidente no último jogo do Real, Ronaldo disse que ''o que doeu mais foi ter tido três ou quatro chances de marcar gols e não ter feito nenhum. Doeu muito mais do que o que aconteceu depois''.
O atacante se assustou quando questionado se concordava com a avaliação de Parreira, de que seria ''uma das três maiores celebridades do mundo''. Ele acha que não é para tanto. ''Eu sou o que sou. Não tento ser mais do que ninguém, não tento tirar o espaço de ninguém e, principalmente, não tento passar por cima de ninguém. Só tento ser o melhor no que faço, ser o melhor pai, o melhor filho, o melhor atacante...''
O desabafo, que pode ser considerado ''profundo'' para um jogador que não costuma se expor bastante nas entrevistas, surpreendeu os jornalistas que se acotovelavam para ouvir o primeiro depoimento de Ronaldo desde que ele desembarcou no Brasil, segunda-feira. Ao perceber que já tinha falado demais, o Fenômeno interrompeu o papo, se despediu e correu para o campo treinar com os outros jogadores.
Antes, já tinha feito questão de deixar claro: a má fase que atravessa na Espanha não vai interferir em seu rendimento nos jogos contra o Peru, domingo, e o Uruguai, quarta-feira que vem. ''Quando estou na seleção, só penso em seleção. Quando estou no Real Madrid, só penso em Real Madrid. Acho perfeitamente possível separar as duas coisas, até porque o ambiente aqui é diferente do ambiente que vivo lá''.
Sorte Artilheiro das Eliminatórias com nove gols, quatro a mais do que os vice-goleadores (o boliviano Botero, o paraguaio Cardozo, o uruguaio Chevantón e o venezuelano Morán), Ronaldo acredita dar sorte em jogos com a seleção. A expectativa dele é brilhar com a camisa amarela para, então, retornar à Europa com moral. ''Espero que os gols saiam na Seleção, como vinham saindo. E aí, depois, tomara que eu volte bem para o Real Madrid''.

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