Ronaldo Luís Nazário de Lima entra em campo para enfrentar a Escócia, hoje, no Estádio da França, consciente de que está diante do maior desafio de sua carreira. Ter sido reserva numa Copa do Mundo com 17 anos de idade e eleito por duas vezes consecutiva o melhor jogador do planeta não valerão muito se a sua participação na Copa da França for um fiasco. ‘‘Sei da minha responsabilidade e vou assumi-la’’, diz.
Ronaldinho sabe o que os brasileiros esperam dele. Por enquanto ainda é um jogador de clube em dívida com a Seleção. Embora tenha sido convocado 59 vezes, jogado 39 e marcado 25 gols, ainda não repetiu na Seleção o desempenho que o consagrou nos campos europeus. Ídolo no PSV Eindhoven, da Holanda, no Barcelona, da Espanha, e na Inter de Milão, ele quer registrar também o seu nome na história da Seleção. ‘‘Estou me preparando para disputar uma grande Copa e ajudar o Brasil a ser campeão do mundo’’, afirma.
O centroavante, revelado no São Cristóvão do Rio, está disposto a ‘‘fazer qualquer sacrifício pelo título’’, como repetiu diversas vezes, mesmo que tenha de se movimentar mais, puxar seus marcadores e abrir espaço para os outros companheiros de ataque. ‘‘O que importa é ser campeão’’, garante.
Da Copa de 94, nos Estados Unidos, quando resignou-se com a reserva, para o Mundial da França, Ronaldinho cresceu quatro centímetros (está com 1,82 m) e ganhou força muscular. O garoto franzino ficou com corpo de homem, fundamental para enfrentar a fúria dos marcadores.
Ronaldinho disse que está preparado: ‘‘Fica apenas a ansiedade, afinal é a minha primeira estréia verdadeira numa Copa; dá uma vontade danada de entrar logo em campo’’, comenta. Quando era garoto, ele costumava sonhar que estava marcando gols e a narrar jogos enquanto dormia. A sua irmã Ione, que está na França, conta essas passagens da vida de Dadado, como o craque era chamado na infância no subúrbio carioca de Bento Ribeiro.
Embora tenha imaginado disputar a Copa ao lado de Romário, cortado por contusão, Ronaldinho sente-se bem jogando com Bebeto. Os dois tiveram divergências na Olimpíada de Atlanta, mas todas superadas. ‘‘O Bebeto é um jogador que se movimenta muito e oferece opções de jogo’’.

mockup