Ronaldinho não se abala com assédio de empresários
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 06 (AE) - Sem deslumbramento aparente com as propostas de até US$ 30 milhões que o Grêmio recebeu e recusou pela cessão do seu passe, o meia atacante Ronaldinho não demonstrou preocupação com o assédio de empresários e de clubes europeus. "Meu negócio é jogar futebol", afirmou. "Se pudesse eu jogaria todos os dias", reiterou. "Quero fazer um bom Campeonato Brasileiro pelo Grêmio", disse hoje, às 9h06, ao desembarcar em Porto Alegre. "Eu jogando bem e o Grêmio se saindo bem, a chance de voltar para a Seleção é bem maior", observou.
O presidente do clube, José Alberto Guerreiro, reafirmou que o jogador permanecerá no estádio Olímpico. Guerreiro adiantou que, na próxima semana, o clube deverá anunciar um acordo para garantir os serviços do craque da Copa das Confederações até o final do seu contrato, em fevereiro de 2001.
Apesar de ter apenas 19 anos, Ronaldinho assegurou não ter receio de jogar em qualquer lugar. "Sempre são 11 contra 11, uma bola e um campo", sintetizou. Admitiu que, agora, com toda badalação em torno de seu nome, será mais complicado fugir à marcação no Brasileiro. "Vou ter que treinar mais forte para quando pintar a dificuldade", reconheceu. Disse que precisará mostrar mais técnica, força, resistência e velocidade "para fugir por algum lado".
O refrão "Ah, é Ronaldinho!" marcou a volta do jogador ao Sul, depois de que quase dois meses de ausência, tempo em que esteve na Copa América e na Copa das Confederações. O Grêmio dispensou a festa mas cerca de 100 torcedores apareceram no aeroporto Salgado Filho. Levaram muito entusiasmo e uma grande bandeira azul, branca e preta, de cinco por cinco metros, que exibia um desenho de corpo inteiro de Ronaldinho, controlando uma bola com o calcanhar. Dona Miguelina, a mãe do jogador, também foi receber o filho. "Para mim, ele já é o melhor do mundo", comentou sorrindo.
O ex-junior revelou satisfação com sua nova vida, rodeada de interesse pela mídia e dos fãs. "Sempre sonhei com isso", disse Ronaldinho. "Quero me acostumar o quanto antes, procurar jogar mais e ficar mais conhecido", confessou.
Indagado se este tipo de pressão não tumultuaria seu cotidiano
como aconteceu com seu xará, da Inter, de Milão, ele mostrou convicção. "O fato de jogar bola não vai me privar de ficar junto da minha mãe, da minha irmã, dos meus amigos", sustentou. "Não posso reclamar porque eu faço o que eu gosto e é a melhor coisa que tem", justificou.
Com bom humor, mas também com autocrítica, Ronaldinho comentou o lance da falta que deu origem ao quarto gol do México, na final da Copa das Confederações. "Quis bater rápido para pegar a zaga deles distraída e acabei pegando o nosso time distraído"
notou. "Gritei pro Vampeta mas ele nem ouviu naquele barulho de 120 mil pessoas", relembrou. "É aprendizado, né. Noutra final não vou bater tão rápido", prometeu, rindo.
Ronaldinho defendeu o centroavante Christian, do Inter, que foi mal no torneio. "O que faltou para o Christian foi só fazer o gol. Ele jogou bem, criou, deu passe para gol, abriu espaços...", citou. "Tenho orgulho de dizer que ele é meu amigo", resumiu.
Informado da situação do Grêmio, que ainda não se firmou no Campeonato Brasileiro, Ronaldinho avisou que não é "nenhum super-homem" mas que, quando entrar em campo estará empenhado "ao máximo" em ajudar sua equipe. No Grêmio, o técnico Celso Roth usa Ronaldinho como quarto homem do meio campo, enquanto na Seleção atua mais à frente. Ele não vê problema em se adaptar a qualquer das funções. "É só uma questão de sequência de jogos"
avaliou.
O Grêmio faz um amistoso neste sábado contra o Caxias, mas Ronaldinho estará ausente. "Agora quero ver a minha casa, olhar o meu quarto, como está minha família, saber as fofocas do futebol por aqui", programou. O retorno do destaque na Copa das Confederações deverá acontecer na quarta-feira, à noite, contra o Independiente, pela Copa Mercosul, no estádio Olímpico.


