O atacante Ronaldinho, da Internazionale de Milão, será chamado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) para depor no início de junho à comissão disciplinar de processo ético-profissional, que apura o procedimento dos médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta (ex-seleção brasileira) no dia da decisão da Copa do Mundo da França, em 1998.
Na ocasião, o jogador sofreu uma suposta convulsão, foi atendido numa clínica de Paris e, mesmo assim, teve mantida sua escalação para a partida contra a França. ‘‘O depoimento de Ronaldinho é fundamental para o andamento do processo e certamente ele será convidado quando estiver no País para disputar os próximos jogos da seleção’’, afirmou ontem o presidente do Cremerj, Mauro Brandão.
A chegada do atacante ao Brasil está prevista para o dia 31. Ele deverá ficar no País até o dia 9 de junho para disputar dois amistosos contra a Holanda, dias 5, em Salvador, e 8, em Goiânia. O jogador não é obrigado a depor.
O ex-técnico da seleção brasileira Zagallo, atualmente na Portuguesa, esteve ontem na sede do Cremerj para explicar o que aconteceu com Ronaldinho no dia da final, quando o jogador teve uma atuação decepcionante. ‘‘Apenas cumpri minha obrigação, contei tudo o que vi, mas não posso revelar o conteúdo da conversa porque o processo é sigiloso’’, declarou Zagallo.
Ele foi ouvido por cerca de uma hora pelo conselheiro José Antônio Romano, instrutor do processo ético-profissional. ‘‘Meu depoimento é uma peça-chave do processo e, agora, minha parte está encerrada, apenas relatei os fatos que ocorreram.’’ O processo ético-profissional está em fase de instrução. Já foram ouvidos os médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta e o então coordenador técnico da seleção, o ex-jogador Zico, entre outros. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, desmarcou o depoimento que estava marcado para ontem.
Após o término desta fase, serão nomeados um relator e um revisor. O julgamento do processo está previsto para ocorrer 60 dias depois. Os acusados e seus respectivos advogados poderão participar do julgamento, que é feito pelos 40 conselheiros do Cremerj com direito a voto. Caso sejam condenados, Lídio Toledo e Joaquim da Matta poderão ter seus registros profissionais cassados ou suspensos por até 30 dias. Também estão previstas punições mais brandas, como advertência formal e censura pública.

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