Porto Alegre, 21 (AE) - Chamado para a seleção brasileira depois do corte de Edílson, o meia atacante Ronaldinho, do Grêmio, recebeu com a notícia com incredulidade. "Se for verdade...", começou a falar, ao ser informado na programação de esportes da rádio Gaúcha. Em seguida, disse que não esperava ser lembrado. Nos últimos meses, os fatos tem se precipitado para o jovem jogador de 19 anos: ganhou sua posição no time principal, transformou-se no nome mais importante da equipe, foi campeão gaúcho no domingo e o goleador do campeonato
convertendo dois gols decisivos nas finais, ambos com a marca da sua individualidade. O chamado surpreendeu Ronaldinho ainda festejando o título. "Estou meio bobo ainda pela convocação. Não estava esperando", confessou.
Mas emendou que esperava "chegar lá (na seleção) e jogar o melhor futebol". Prometeu "ir com tudo" para fazer o "meu trabalho". No aeroporto, pouco antes de embarcar para a concentração da seleção, em Foz do Iguaçu, Ronaldinho absteve-se de comentar o lance controvertido de Edílson, que deu origem à pancadaria na final do Campeonato Paulista e à desconvocação do jogador corintiano. Afirmou que entrou no clima da festa depois do título gaúcho, foi dormir tarde e não teve tempo de ver o teipe. "O que importa é a convocação. Não penso em mais nada", respondeu.
Com status de craque incontestável no estádio Olímpico, Ronaldinho sempre representou uma aposta dos dirigentes, encantados com o seu futebol, mas foi em 1999 que se firmou na equipe de cima, com o apoio do técnico Celso Roth e da nova diretoria, disposta a usar os talentos que despontavam nos juniores. Voltou do selecionado sub-20, que representou o Brasil no mundial da Nigéria, e se firmou. Em 1998, com Sebastião Lazaroni, ele recebera as primeiras chances mas, seguidamente convocado para a seleção brasileira de sua categoria, não tinha sequência de jogos; ausentava-se muito e não conseguiu garantir vaga no time titular.
Veloz, dono de um drible desconcertante, muito hábil, exímio cobrador de faltas, Ronaldo de Assis Moreira, o Ronaldinho, marcou 15 gols em 16 partidas e virou goleador do Campeonato Gaúcho, desbancando o adversário e artilheiro Christian, do Inter. Foi também a figura principal de dois dos três clássicos da final contra o Inter.
No segundo, abriu caminho para a vitória de 2x0, ao marcar um belo gol de falta. No terceiro, manteve-se como a figura de destaque, ao entrar tabelando na área, enganar os zagueiros e chutar de pé esquerdo (o melhor é o direito) para fazer o único gol da partida.
Irmão de Assis - campeão da Copa do Brasil em 1989 também pelo Grêmio e hoje no Japão - Ronaldinho chegou ao Olímpico com sete anos, levado pela mão de seu pai, João da Silva Moreira, para os infantis. Hoje, já ganhou até música. Um grupo local, o Pagode do Dorinho, criou um samba onde o meia, definido como "gremista, gaúcho, amigo e humilde", é saudado com o refrão "Ronaldinho é matador/Ronaldinho é goleador".

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