Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
O artista plás tico americano Andy Warhol, papa da pop art, disse que chegaria o dia em que todo mundo teria seus 15 minu tos de fama. Para o jogador Ronaldinho Assis, foram necessários apenas cinco segundos para atingir fama imediata e se transformar no novo ídolo. O gol que fez contra a Venezuela, quarta-feira à noite, na estréia do Brasil na Copa América, desviou todas as atenções da Seleção para essa revelação do Grêmio Portoalegrense.
‘‘Temos que aplaudir o gol dele, que foi um gol de arte, um dos mais bonitos dos últimos tempos’’, afirmou Wanderley Luxemburgo. ‘‘O Ronaldinho está de parabéns pelo gol histórico que fez; ele se mostrou, mesmo muito jovem, já com bastante experiência’’, completou o xará Ronaldo.
Depois do jogo contra a Venezuela, estavam à disposição da imprensa que cobre a Copa América o técnico Wanderley Luxemburgo, o atacante Ronaldo, o lateral Roberto Carlos e o volante Vampeta. Ronaldinho, que estava relacionado para a entrevista, não compareceu porque foi sorteado para o exame antidoping. Os jornalistas insistiram em falar com o jogador e só conseguiram isso quando já passava da uma hora da madrugada.
Ontem, o jogador contou que a primeira coisa que fez ao ir para o quarto, depois de atender a imprensa, perto das duas horas da madrugada, foi ligar para a mãe, dona Miguelina, em Porto Alegre. Ronaldinho confessou que sempre liga para ela depois das partidas. ‘‘Ele é muito mimado’’, revelou dona Miguelina a rádios gaúchas.
Ronaldo de Assis Moreira tem 19 anos e veste a camisa da Seleção desde os 15. Daí para a frente, nunca deixou de ser convocado. Ao todo foi chamado 52 vezes, realizou 45 jogos e marcou 21 gols nos times de base do selecionado. Na quarta-feira, fez o segundo jogo pela equipe principal e deixou a sua marca. E que marca. ‘‘Aprendi a fazer isso olhando os jogos de várzea e me inspirando nos meus ídolos, Pelé e Zico’’, declarou. Hoje, ele revela que seus ídolos atuais são Alex, Amoroso e, é claro, Ronaldo.
Com jeito de moleque, parece estar sempre muito à vontade, e o assédio já começa a render gozações dos colegas. Roberto Carlos, por exemplo, disse que agora só falta os jornalistas dizerem que ele também é bonito. De qualquer modo, mesmo ainda na condição de reserva ( veja matéria ao lado), ele é o novo ídolo em Foz do Iguaçu. Ontem, até policiais militares que fazem a segurança da delegação brasileira fizeram questão de tirar fotos com Ronaldinho.

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