A fase anda tão ruim para o atacante Ronaldinho que ele decidiu apelar para a sorte na partida de hoje, em Paris, contra o Chile. ‘‘O Estádio Parque dos Príncipes me dá muita sorte. Espero poder aproveitar isso contra o Chile’’, afirmou o atacante. Foi nesse mesmo estádio que Ronaldinho faturou, em abril, o título da Copa da Uefa, com a vitória da Internazionale por 3 a 0 sobre a Lazio. Naquela partida, o atacante marcou o terceiro gol e teve uma de suas melhores atuações pela equipe italiana.
Ao contrário de Bebeto, que aparentemente foi poupado do treino de ontem, Ronaldinho participou de todo o rachão. Em nenhum momento demonstrou sentir qualquer dor no joelho direito. Mas ele vai entrar em campo com uma proteção, que jura ser apenas uma precaução. Nos últimos dias, ele reclamou de dores no local, o que levou o médico Lídio Toledo a colocar a proteção no joelho.
Outro jogador que espera ter sorte no Parque dos Príncipes é o meia Leonardo. ‘‘Estou me sentindo em casa. Conheço muito bem aqui’’, disse. Leonardo foi ídolo durante dois anos do Paris Saint-Germain, o principal clube da cidade e que manda os seus jogos naquele estádio.
Depois da derrota para a Noruega e da crise que ela desencadeou, o técnico Zagallo busca um tom ufanista para tentar infundir ânimo na equipe. Falando à imprensa, ontem o treinador repetiu várias vezes o refrão: ‘‘Só faltam quatro para o penta’’. Referia-se aos quatro jogos que o Brasil terá de vencer para conquistar a Copa.
O Chile seria ‘‘apenas o primeiro degrau dessa caminhada. ‘‘Respeito o time do Chile, mas vamos ganhar’’, afirmou. Ao comentar o último jogo da Seleção, contra a Noruega, Zagallo tentou minimizar a importância da derrota. Para espanto dos jornalistas - sobretudo dos estrangeiros -, qualificou aquele jogo como ‘‘só brincadeirinha: a Copa pra valer começa agora’’.
De acordo com o treinador, a derrota para a Noruega não deve ser levada em conta quando se analisam as condições do Brasil, porque o time jogou sem dois titulares (César Sampaio e Aldair) e taticamente desfigurado. ‘‘Se eu fosse fazer o que achava melhor para o time, teria simplesmente colocado o Émerson no lugar do Sampaio (suspenso) e mantido o mesmo esquema tático’’, disse Zagallo. ‘‘Mas, como era um jogo que podíamos perder, achei que era a oportunidade de testar uma formação que todo mundo vinha me cobrando, com o Leonardo na meia direita e só um cabeça de área. Agora, quando dá errado, vêm para cima de mim.’’
Sobre a situação de Bebeto, que se recupera de uma contusão na coxa, afirmou: ‘‘Ele está bem, está sem febre’’. Quando alguém perguntou se Dunga iria ‘‘voltar a falar’’, o velho Lobo respondeu: ‘‘Claro que ele vai falar. Ele não é mudo. Por quê? Você quer fazer uma entrevista com ele?’’
Zagallo disse não temer que seu discurso triunfalista sirva de estímulo à equipe chilena. ‘‘Eu não estou aqui para estimular ninguém. É o verde-amarelo que estimula. Eles (os chilenos) vão ter que entrar em campo e respeitar a Seleção Brasileira. Eu confio no verde-amarelo, e vocês podem confiar também.’’
Em contraste com o otimismo ostentado pelo treinador, o clima entre os jogadores era bem mais sombrio. ‘‘São 22 pessoas que pensam diferente’’, disse Cafu. ‘‘Mas o importante é o respeito de todos.’’ Para Roberto Carlos, ‘‘o ambiente ficou mais pesado por causa das notícias sobre a divisão entre os jogadores, não por causa de problemas internos’’. Sobre a reunião realizada pelos jogadores anteontem - na qual decidiram não mais falar mal uns dos outros em público -, Dunga disse que não teve nada de especial. ‘‘Eu apenas disse que o grupo podia melhorar’’, afirmou o capitão.

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