Atenas - O tempo de 2min00s48 não foi suficiente para levar o londrinense Rogério Romero, finalista em Seul (88) e Sydney (00), para mais uma final olímpica dos 200 m costas. Na semifinal, terminou em sétimo lugar na sua bateria, a apenas cinco segundos do primeiro colocado, o norte-americano Aaron Peirsol, medalha de prata nos Jogos de Sydney. Na última edição dos Jogos ele havia ficado em sétimo lugar, melhor resultado olímpico na carreira.
''Fiquei muito feliz com o resultado. Já na semifinal tinha alcançado o melhor tempo (2min00s60) desde o Pan-Americano de Santo Domingo.'', disse Romero. ''Tenho mais desafios pela frente. Não penso em me aposentar'', completou o nadador, já pensando nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.
O também londrinense Diogo Yabe não conseguiu bater sua marca pessoal, 2min02s07, com a qual teria entrado na semifinal dos 200m medley. Ele obteve 2min03s86 nas eliminatórias, ficando em 26º no geral. ''Estava confiante e preparado, mas o tempo não saiu, não sei por quê'', lamentou Yabe. ''Mas estou curtindo bastante a Olimpíada. É minha primeira participação e encaro como uma vitória na carreira estar aqui.''
Se para o novato a experiência agrada, imagina para o veterano. ''Ainda me perguntam o que me motiva. Olha isso aqui. É tudo maravilhoso. É a sensação de estar novamente em uma Olimpíada'', disse o nadador, que no retorno ao Brasil reassume o cargo de sub-secretário de Esportes de Minas Gerais. ''Ainda não deu tempo de pensar em muita coisa. Mas vou estar lá pra tentar ajudar o esporte.''
Otimismo Com quase 34 anos, quase o dobro da idade de um dos maiores astros da natação mundial, o australiano Ian Thorpe, e quase 30 anos de piscina, Romero conquistou mais do que medalhas e boas marcas na carreira. Conquistou amigos e experiência de vida. Conhecido pelos atletas mais novos como o ''Vovô da Piscina'', o londrinense sempre deu uma lição de otimismo.
Depois de passar sete anos treinando sem conseguir melhorar as suas marcas, desistiu. Mas não conseguiu ficar mais de um mês longe das raias. Em 92, a primeira vez que a idéia da desistência passou pela sua cabeça, Romero achava que já estava no ápice da carreira. Incentivado pelo seu técnico resolveu continuar. Em 96, depois da Olimpíada de Atlanta, realmente parou. ''Estava muito desanimado''.
Quando voltou a nadar, Romero procurou variar seu treinamento para sair da rotina, corrigiu alguns erros que cometia e ninguém mais o segurou. Chegou a ser o primeiro no ranking da Federação Internacional nos 100 e 200 metros costas e conquistou o seu melhor resultado olímpico: o 7º lugar em Sydney-2000.

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