Janaina Tupan Frare
Especial para a Folha
As cinco provas finais do Campeonato Brasileiro Absoluto de Natação, no Troféu José Finkel, serão disputadas na manhã de hoje no parque aquático Júlio de Lamare, no Rio de Janeiro. A competição foi aberta na quarta-feira e é seletiva para os Jogos Olímpicos de Sidney, no próximo ano. O Vasco da Gama é o principal candidato ao título – vem liderando desde o primeiro dia. O Flamengo aparece na segunda colocação. O atual campeão é o Minas Tênis, de Belo Horizonte. As provas começam às 9 horas e são as seguintes: 100 metros livre, 200 costas, 50 borboleta, 100 peito e revezamento 4 x 100 livre, no masculino e feminino.
Uma prova que será acompanhada com atenção em Londrina será a dos 200 metros costas. Nela, Rogério Aoki Romero (foto), 30 anos, vai tentar o índice para a sua quarta Olimpíada. Ele já esteve em Seul (88), Barcelona (92) e Atlanta (96). O irmão Julian estará dando apoio pessoalmente, mas, na cidade, dona Odete, a mãe, estará, como sempre, cronometrando o tempo do filho. O tempo exigido para as Olimpíadas é de 2m01s20 – mas Romero já fez 2m00s99 nos Jogos de Barcelona. Segundo dona Odete, mesmo depois de Barcelona, ele fez tempo inferior ao exigido para Sidney.
Dona Odete diz que a expectativa de que Romero garanta uma vaga para a Olimpíada está maior do que quando ele tentou ir a Barcelona e Atlanta. Ela disse que até ontem não havia falado com ele, por telefone, para evitar qualquer tipo de cobrança. Romero, que atualmente reside nos Estados Unidos, é esperado hoje à noite, em Londrina, para passar o Natal com a família. Depois, todos vão para a praia, para o revSillon.
O desempenho de Rogério Romero neste ‘José Finkel’ está sendo dos melhores, tendo já conquistado dois segundos lugares, nos 50 e 100 costas, ficando atrás de Alexandre Massura, do Flamengo. Segundo dona Odete, Rogério, aos 30 anos, está com um novo pique – principalmente com a possibilidade de disputar uma nova Olimpíada. ‘‘ Será bem difícil aparecer um outro nadador com quatro olimpíadas nas costas’’, diz ela – orgulhosa e esperançosa.
História – O Troféu José Finkel, que este ano é uma das seletivas para os Jogos Olímpicos de Sidney, foi criado para homenagear o nadador paranaense José Finkel, que morreu de câncer aos 17 anos, três meses depois de descobrir a doença, em 1972. Hoje, Finkel, que dá o nome a um dos troféus mais importantes da natação brasileira, teria 44 anos.
A competição começou a ser realizada no mesmo ano de sua morte. Idealizado por Berek Krieger, ex-chefe de equipe do Centro Israelita do Paraná, onde Finkel treinava, o troféu entrou para o calendário do Campeonato Brasileiro de Natação como competição de inverno. ‘‘Na época, o Troféu José Finkel surgiu para preencher uma lacuna no Campeonato Brasileiro’’, explica o nadador Joel Krieger, filho de Berek. ‘‘Só existia o Troféu Brasil, que acontecia em janeiro. Precisávamos de mais competições e o Troféu José Finkel, criado para homenagear o nosso amigo, foi um grande passo para o desenvolvimento da natação paranaense’’, completa. Segundo Joel, foi nessa época que começou a surgir piscinas aquecidas no Estado e nomes paranaenses representativos no cenário nacional, como Cristiano Michelena, campeão brasileiro e recordista sul-americano; e Ilana Krieger, que também chegou a bater o recorde sul-americano no nado costa, em 1977, quando integrava a seleção brasileira. Ambos nadavam pela equipe do Clube Golfinho, de Curitiba.
O Paraná sediou a competição por 10 anos. Durante os dois primeiros anos o troféu foi realizado na piscina do Centro Israelita, que foi reformada e aquecida, com recursos do próprio Berek, para realizar a primeira edição da competição. Mas com o grande desenvolvimento da equipe de natação, os sócios do clube passaram a reclamar, pois só havia uma piscina e sempre estava destinada aos treinos. Foi então que um grupo de pais de atletas se reuniu para construir um clube especial para a natação. Com recursos próprios, construíram o Clube Golfinho, onde passou a ser realizada as outras edições da competição. Depois, quando deixou de ser realizada no inverno e foi oficializada como uma das provas Campeonato Brasileiro, passou a mudar de sedes. Em 1992, Londrina sediou a 20ª edição.

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