Com o orgulho ferido por ter ficado de fora da Olimpíada de Sydney, o atacante Romário cumpriu a promessa. Marcou ontem três dos cinco gols da Seleção Brasileira na vitória contra a Bolívia, acabou com o jejum do ataque e se consagrou como o salvador do time de Wanderley Luxemburgo, seu grande desafeto.
Como nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, quando marcou os gols da classificação brasileira contra o Uruguai,Romário foi o destaque da partida. Até então, nenhum dos atacantes convocados por Luxemburgo havia marcado nos sete jogos anteriores disputados na competição. O Brasil só tinha marcado nove gols nas eliminatórias.
Renegado nas outras partidas pelo treinador da seleção, Romário havia prometido fazer Luxemburgo se arrepender de tê-lo excluído dos Jogos de Sydney no jogo contra a Bolívia. ‘‘Ele deve estar’’, disse após o jogo, quando questionado se o treinador deveria estar arrependido por não tê-lo convocado para a Olimpíada. Com as inscrições encerradas, Romário só pode ir aos Jogos de Sydney substituindo um jogador que se machuque.
Com os gols que marcou ontem, Romário é agora o segundo maior artilheiro da história da seleção brasileira com 55 gols, superando Zico, que tem 53. O maior artilheiro do Brasil é Pelé. Romário venceu a ‘‘guerra silenciosa’’ que travou com o treinador da seleção. Desde quando foi convocado para a partida, sempre tentou desafiar Luxemburgo, que está com o prestígio em baixa e teve que engolir o comportamento do jogador.
Durante a semana de treinamento na Granja Comary, Romário manteve na seleção a série de regalias que tem no Vasco e declarava estar magoado com Luxemburgo. Na sexta-feira, o jogador chegou a admitir deixar a seleção após o jogo contra a Bolívia.

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