Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, foi ontem à sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para explicar pessoalmente à Comissão Disciplinar da entidade a suposta propaganda política feita pelo atacante Romário durante a comemoração de seus dois gols na vitória por 4 a 1 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, sábado, quando o jogador exibiu camisetas com frases de apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Silva afirmou que o fato – proibido pelo estatuto do clube – não vai se repetir e disse que enviaria também à Fifa pedido formal de desculpas pelo episódio, apesar de a entidade ter anunciado, pela manhã, que não vê razões para intervir no caso, embora tenha destacado o caráter apolítico do futebol.
No jogo de sábado, Romário comemorou os dois gols mostrando camisetas que vestia por baixo da camisa do clube com as frases ‘‘FHC: eu e muitos estamos com voc꒒ e ‘‘FHC: seguimos acreditando’’, escritas em vermelho e preto.
A prática de mostrar camisetas com mensagens – geralmente de contexto social – tem sido comum nas comemorações do artilheiro, mas no jogo contra o time paulista foi a primeira vez que ele utilizou frases com conotação política referente a uma pessoa específica – no caso, o presidente da República, que enfrenta uma de suas piores crises de popularidade: 52% da população brasileira considera sua administração ruim ou péssima, de acordo com o Ibope.
Recentemente, o jogador recebeu o apoio do ministro de Esportes e Turismo, Rafael Greca, para seu projeto de assistência a crianças carentes, o Projeto Romarinho. O atacante também estaria cotado para participar da promoção do plano de desenvolvimento do esporte preparado pelo Governo Federal.
Romário, que se diz ‘‘fã de Fernando Henrique’’, afirmou que vai acatar a decisão do presidente do clube: ‘‘Proibiu, está proibido; só quis manifestar minha opinião.’’

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