Romário se despede como queria: com gol
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Agência Estado 
São Paulo - Ainda que o jogo tenha importância questionável para a seleção brasileira, daqui a muitos anos haverá gente se lembrando com saudade da partida desta quarta-feira no Pacaembu. A despedida de Romário com a camisa verde-amarela foi emocionante ainda que não tenha sido a primeira, mesmo que não seja a última. O Baixinho marcou gol impedido, mas e daí, valeu pela festa , deu volta olímpica e reclamou da arbitragem ao levar cartão amarelo por excesso de comemoração após fazer 2 a 0.
O Pacaembu apresentou ares do campinho da Vila da Penha, bairro carioca onde Romário costumava se divertir jogando futebol com os amigos na infância e adolescência. Com batucada nas arquibancas, ouvindo seu nome gritado pelos mais de 30 mil torcedores que, em sua maioria, saíram de casa apenas para vê-lo jogar, se sentia em casa.
E mais uma vez, como se acostumou a fazer na carreira, deixou aflita a dupla de zagueiros que cruzou seu caminho. Na quarta-feira: Melgar e Martinez. Começa o jogo. Passa o tempo e Romário nem toca na bola. Quase sempre na banheira, se recebesse o passe estaria várias vezes impedido. Sem problema para o espetáculo, fez isso por duas décadas e sempre deu certo. Gol de Anderson aos 5 minutos. Todos correram para abraçar o zagueiro, menos o dono da festa. Ciúme? Pode ser. Ninguém jamais disse que ele é perfeito.
O zagueiro Melgar, que o acompanhava a todo momento, foi vendo que o atacante do Vasco parecia disperso, abriu espaço aos poucos enfim, caiu na armadilha do veterano de 39 anos. Assim, aos 9, a bola sobrou para Romário finalizar pela primeira vez, nas mãos do goleiro.
O grande momento veio aos 17. Romário, em posição questionável, aproveita cruzamento de Ricardinho e marca de cabeça. O estádio veio abaixo. O atacante agora sim abraçou a todos, comemorou tanto que levou amarelo. Foi passando o jogo e uma certa nostalgia começou a tomar conta do Pacaembu. Estava chegando a hora da despedida.
Aos 40 do primeiro tempo, os ex-jogadores Dunga, Paulo Sérgio, Raí, Branco e Viola, integrantes da equipe campeã mundial em 1994, foram buscar o atacante na saída do gramado. Rebelde como sempre, Romário quebrou o protocolo, pediu autorização para o juiz e deu uma emocionante volta olímpica.
O homenageado deixou o campo e logo em seguida o estádio. Estava muito emocionado. Só estava triste porque não poderia acompanhar a repercussão da partida. Viajou para o México, onde participaria ontem da despedida do goleiro mexicano Jorge Campos.


