Carlos Alberto Parreira atribuiu a Romário a missão de decidir o jogo com o Uruguai, no Maracanã. As eliminatórias da Copa do Mundo dos Estados Unidos chegavam ao fim e o Brasil não podia perder para o rival sul-americano se quisesse garantir a classificação.
Setembro de 1993 e Romário era o grande trunfo da seleção. Veloz e genial, ofereceu ao público talvez a maior exibição individual da década com a camisa do Brasil. Jogou a bola entre as pernas do lateral Herrera, deu chapéu em outro defensor uruguaio, não errou um passe em toda a partida.
A cada bola dominada, Romário era aclamado. No fim, Brasil 2 a 0, com dois gols do craque, em dois passes de Bebeto. ‘‘Tudo aquilo foi um prenúncio de que ganharíamos o Mundial, de que não havia ninguém em condições de tirar o tetracampeonato do Brasil’’, comentou Romário.
Oito anos depois, a seleção volta a ter contra o Uruguai uma partida decisiva em novas eliminatórias de Copa do Mundo. As circunstâncias são parecidas e Romário desponta mais uma vez como a esperança de gols da equipe. Há, porém, duas diferenças consideráveis: o local da partida, Montevidéu, e a idade do atacante, hoje com 35 anos e uma vasta lista de lesões musculares acumuladas desde 94.
‘‘Muita coisa mudou e não sei se são possíveis tantas comparações assim com aquele jogo no Maracan㒒, disse Romário. Ele cita, por exemplo, o nivelamento do futebol sul-americano, em que, em sua opinião, apenas a Venezuela destoa das demais equipes que disputam uma vaga para o Mundial do Japão e Coréia do Sul. ‘‘Não há mais o favoritismo de outrora.’’ Romário quer dizer com isso que não tem como chamar para si a responsabilidade do jogo. O jargão do futebol explica a atitude mais tímida do artilheiro, incapaz agora de dar arrancadas desde o meio-de-campo ou de saltar quase meio metro para cabecear a bola com precisão – duas jogadas que resultaram nos dois gols daquela partida.
‘‘Não esperem que o Romário vá fazer chover de novo, isso não acontece a vida toda’’, brincou. ‘‘É claro que vou tentar, mas, se não conseguir, tem o Rivaldo, o Cafu, o Antônio Carlos.’’
PRÓXIMOS JOGOS
1º de julho
Uruguai x Brasil
14 de agosto
Venezuela x Uruguai
Chile x Bolívia
15 de agosto
Equador x Argentina
Colômbia x Peru
Brasil x Paraguai

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