Romário e Roberto Carlos não se falam
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segunda-feira, 05 de março de 2001
Agência Estado De Guadalajara 
O relógio marca 10 horas em Guadalajara. Os jogadores brasileiros sobem o túnel do Estádio Jalisco para fazer um treino preparativo para o amistoso de quarta-feira, contra o México. O lateral-esquerdo Roberto Carlos é o primeiro a entrar em campo. O atacante Romário, o último. Os dois nem se olham durante o aquecimento. Na hora de um rápido bate-bola, cada um para o seu lado.
O reencontro de dois ídolos do futebol, depois de quase três anos, não foi nada afável. Pelo contrário. Desde 1998, eles vêm trocando ofensas e acusações. Ontem utilizaram alguma diplomacia, pareciam constrangidos, mas não deixaram dúvidas: nem a seleção os unirá. Nunca fomos amigos e não somos obrigados a ser amigos só porque trabalhamos juntos, afirmou Romário.
Visivelmente preocupado em não deixar algumas palavras indesejadas escaparem, o lateral falou pouco do assunto. Não quero falar sobre isso; o Romário é um companheiro de time e, se tiver de passar a bola para ele, vou fazer sem nenhum problema.
O rompimento da amizade entre os atletas ocorreu pouco antes da Copa do Mundo da França. Romário foi cortado do grupo por causa de uma contusão. A maioria dos torcedores se revoltou contra a atitude tomada pelo técnico Zagallo, à época na seleção brasileira. Roberto Carlos, no entanto, disse que os atletas continuariam trabalhando normalmente, dando a entender que o atacante não faria falta.
Romário então começou a atacar. No fim do ano passado, em entrevista ao Estado, o Baxinho afirmou ter cinco inimigos no futebol. Um deles é o lateral do Real Madrid.
Tranquilidade de jogador de seleção dura pouco. Depois de ficar três dias em Los Angeles sem nem sequer ser notado pelos americanos, o time do Brasil está passando apuro em Guadalajara. Desde que chegou ao México, na noite de domingo, os atletas mal conseguem caminhar pelo saguão do hotel em que estão hospedados, tão grande é o número de torcedores que correm atrás de um autógrafo ou de uma foto com seus ídolos.
Hoje, após o treino, dezenas de repórteres de jornais, rádios e TVs locais partiram para cima dos jogadores para colher declarações. Romário, por exemplo, ficou preso no banco de reservas enquanto sofria um bombardeio de perguntas. Na chegada ao Estádio Jalisco e na saída, centenas de pessoas se juntaram para ver os brasileiros.
A entrada de torcedores no Hotel Intercontinental, local de concentração da equipe, irritou o coordenador Antonio Lopes, que chegou a pedir providências ao gerente. Além da seleção, quem está no hotel é o argentino Oscar Ruggeri, apresentado hoje como novo técnico do Guadalajara. O meia Rivaldo, que embarcou da Espanha, foi o último a chegar, no domingo à noite. Cansado, ele ignorou repórteres e fãs e correu para seu apartamento.


