Rio, 07 (AE) - Os atacantes Romário e Edmundo estão voltando a se entender e podem, em breve, dar por encerrada a rusga que teve início com a caricatura de Edmundo que Romário mandou fazer numa porta de banheiro do seu bar, o Café do Gol, após a Copa do Mundo de 1998. Foi Edmundo quem deixou escapar que a aproximação não está tão longe. Ele disse que seu entrosamento com Romário é irretocável e é fácil jogar com o ex-artilheiro do Flamengo. "Ele toca bem a bola."
No jogo de estréia do Mundial de Clubes, contra o South Melbourne, quinta-feira, no Maracanã, era visível a preocupação de Romário em tentar passar a bola para Edmundo. Ele fez isso oito vezes, desperdiçando, inclusive, duas boas situações de gol. O esforço de Romário foi retribuído por Edmundo, notadamente na etapa final. O jogador tentou quatro vezes as tabelas com Romário. Num lance de habilidade, Edmundo deu um passe de calcanhar e deixou o companheiro de ataque em condições de fazer o gol.
Após a jogada, Romário esticou a mão para Edmundo e os dois se tocaram rapidamente, para uma reação eufórica da torcida do Vasco. Romário também buscou Edmundo para cumprimentá-lo pelo gol marcado contra os australianos.
Os vascaínos ainda não assimiliram bem a chegada de Romário e foram tímidos nos "gritos" de apoio ao jogador antes da partida com o South Melbourne. Para Edmundo, no entanto, a festa foi marcante. A atitude dos torcedores deixa claro que o ídolo do Vasco ainda é Edmundo, embora Juninho também venha recebendo várias homenagens da torcida.
O problema de relacionamento entre os dois craques chegou a ser tema de uma reunião do vice-presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda, e o técnico Antônio Lopes. Edmundo foi advertido por Eurico de que deveria ter atitude profissional. Numa conversa ríspida com o craque, o dirigente chegou a dizer que poderia rescindir seu contrato se ele cometesse nova indisciplina - ainda pelo Campeonato Brasileiro, Edmundo gritara com Eurico no vestiário do Vasco e foi afastado por duas semanas.
A expectativa de que os dois jogadores se recusassem a tabelar e, com isso, prejudicassem o time, também foi vivida por Roberto Dinamite, o maior artilheiro da história do Vasco. Por meio de uma emissora de rádio, ele fez ontem um apelo à dupla, pedindo que tivessem humildade e respeito à torcida. Hoje, Roberto parecia satisfeito. "Sabia que ambos têm alto nível de consciência profissional e que não cometeriam o erro."