Romantismo e poeira na velocidade na terra
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ronco dos motores e a velocidade é parecido, mas o grande diferencial do Campeonato Brasileiro de Velocidade na Terra em relação às demais provas do automobilismo nacional é a poeira levantada pelos carros das quatro categorias. Também chama a atenção a distribuição do público ao longo da pista, com direito a barracas e churrasqueiras, remetendo à era romântica das corridas dos anos 60 e 70, onde arquibancadas eram raridade nos autódromos.
A atmosfera de tempos passados pôde ser sentida pelos torcedores que acompanharam as sete corridas da 3 etapa do campeonato, disputadas ontem no Autódromo Afonso Pena, em São José dos Pinhais (as provas de sábado foram adiadas para o dia seguinte devido à chuva e uma bateria da Turismo 5000 foi cancelada). Neste túnel do tempo destaca-se a categoria Fuscacross, em que os veteranos carrinhos mostram ainda ter fôlego para correr. Na modalidade, dominada por paranaenses, chama atenção a família Rossatto, com três pilotos competindo. Um deles é o empresário Luiz Carlos, que aos 53 anos reencontrou nas corridas na terra a paixão de ex-piloto de provas fora-de-estrada. ''A gente corre mais por gosto mesmo do que por competição. Mas a minha equipe, que tem seis pilotos, é uma das melhores do campeonato'', afirma. Dela fazem parte também seu irmão Vavá e seu sobrinho Fabrício, que disputa palmo a palmo a liderança da competição com Valmir Marafon, vencedor das duas provas de ontem.
Outro paranaense que aproveitou bem o conhecimento da pista foi Christiano Bornemann, que venceu as duas baterias da Turismo 1600 e disparou na ponta do campeonato, que será encerrado com mais uma rodada dupla de cada categoria na pista de Itu, no interior paulista, em novembro. Entre as ''gaiolas'' da categoria Tubular, os vencedores do dia foram o mato-grossense Raijan Mascarello e o paranaense Rogério de Paula entre os carros com motores com injeção eletrônica, enquanto o baiano Willian Cancelier venceu duas vezes entre os carros com carburador. E na Turismo 5000 a vitória foi de Odair Acosta Júnior, também do Paraná. Esta categoria teve apenas cinco carros participando, fato lastimado pelo comerciante Ceslau Maiezak, 64 anos, que levou quatro filhos e o neto Paulo, 8, para ver as disputas. ''Já faz sete anos que venho ao autódromo. Eu gosto de todas as corridas, mas prefiro as de Opala e Dodge, que não correram hoje''.


