Roman desmascara máfia do apito no Paraná
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O árbitro paranaense Evandro Rogério Roman, do quadro nacional, desmascarou ontem à tarde, na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF), integrantes da ''máfia do apito'', que, segundo ele, atuam há dez anos na manipulação de resultados no futebol paranaense. Roman revelou o nome de seis árbitros durante depoimento prestado ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPF. Estiveram presentes o presidente do tribunal, Bôrtolo Escorssim, o auditor Octacílio Sacerdote Filho e o advogado da FPF na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Domingos Moro.
A audiência começou com a leitura de uma carta anônima que relacionava uma série de árbitros e até mesmo integrantes da FPF no esquema de corrupção, que veio à tona recentemente, após declarações de compra de resultados na Série Prata do Campeonato Paranaense. O presidente do Operário de Ponta Grossa, Silvio Gubert, e o árbitro José Francisco de Oliveira afirmaram haver uma espécie de ''mensalão do apito'' na Segundona.
Roman confirmou parte das acusações da carta anônima e apontou seis pessoas diretamente ligadas à manipulação dos resultados: os mentores da quadrilha, Amoreti Carlos da Cruz e Carlos Jack Rodrigues Magno, juntamente com Antônio Oliveira Salazar Moreno, José Francisco de Oliveira (o Cidão), Sandro César da Rocha e Marcos Tadeu da Silva Mafra.
O árbitro afirmou que não sabe da participação de dirigentes da FPF no esquema e nem da identidade do ''Bruxo'', que seria responsável pelos pagamentos. Sobre os dirigentes dos clubes, ele disse tratar-se de vítimas. ''Os presidentes de clubes são vítimas. Se eles não fizerem (pagamento para compra de resultados), outros vão fazer. Eles são coagidos'', revelou.
Como exemplo, Roman lembrou o caso de um membro da ''máfia do apito'' que ofereceu a um clube de Cascavel um ''pacote'' de jogos, em que 70% das partidas da equipe seriam apitadas por quatro ou cinco árbitros da gangue.
Perguntado sobre o que motivou suas declarações, Roman disse que precisava desabafar. ''Dou aula para 800 alunos e o alicerce da minha vida é meu trabalho. Não posso ser chamado de vagabundo agora por causa disso (das denúncias de corrupção na arbitragem paranaense.''
Roman esteve acompanhado de cerca de 20 árbitros e auxiliares de todo o Paraná, que também foram ouvidos pelo auditor do TJD. O inquérito deve estar concluído até a próxima segunda-feira e em seguida vai para apreciação da Procuradoria do TJD. Caso seja acatado, o processo volta para o TJD, que vai encaminhar o caso para julgamento.


