Rolandense se aproxima de Londres-2012
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
O maior judoca brasileiro na atualidade é de Rolândia (Norte). O peso pesado Rafael Silva, o ''Baby'', 23 anos, tem 2m03 de altura e pesa 149 quilos. Mas não é pelas medidas que é o maior brasuca da modalidade atualmente e sim pelos resultados. Ele foi o único judoca do país a conquistar medalha em todas as principais competições da modalidade no mundo em 2011.
Silva fechou a primeira perna do circuito europeu com uma medalha de ouro e duas de bronze. Em Budapeste, na Hungria, atropelou os rivais e subiu ao lugar mais alto do pódio. Já em Dusseldorf, na Alemanha, e em Varsóvia, na Polônia, foi o terceiro colocado. Além disso, ele também faturou o bronze no Pan-Americano da modalidade, que foi realizado em Guadalajara, no início do mês.
O judoca está satisfeito com os resultados. ''Para um começo de ano é uma campanha boa. Fui o único brasileiro a 'medalhar' em todos os torneios importantes do circuito europeu, o que é muito bom. Mas a briga de verdade é depois de maio'', apontou Silva, em visita à redação da FOLHA.
A luta dele será redobrada a partir de agora porque é a reta final de classificação para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. A pontuação conquistada até agora sofrerá um corte e os resultados dos torneios de maio em diante vão ser fundamentais para brigar pela vaga. Entre os homens, se classificam os 22 melhores atletas do ranking mundial da Federação Internacional de Judô (FIJ).
Silva é o atual número 15 do mundo em sua categoria, um salto considerável para quem era o 64º colocado pouco mais de um ano atrás. Com o corte, ele deve pular para a décima colocação, à frente de outro brasileiro, Daniel Hernandes, 31 anos, companheiro de equipe no Pinheiros e atual 13º. ''Minhas conquistas são mais recentes e por isso minha pontuação deve ser maior do que a dele'', contou. Apenas um judoca por categoria se classifica.
Esse salto significatico tanto no ranking mundial, como de conceito como atleta de ponta, foram fundamentais para a virada na carreira do judoca, pois agregaram reconhecimento e, automaticamente, apoio.
''No final de 2009, começo de 2010 eu estava bem desanimado. mas o marco foi a Copa do Mundo em São Paulo. Fui bem (vice-campeão) e o Pinheiros apostou em mim'', relembrou.
Silva já era atleta do clube paulistano na época, porém, as estrelas do staff de judô eram outras. Foi então que o Pinheiros acreditou no potencial do judoca e bancou sua ida aos torneios de Madri e Lisboa, de onde voltou com um ouro e um bronze, respectivamente. ''Eu sabia que estava bem. Aí, foi só chegar lá fora e manter o que vinha fazendo'', afirmou o judoca.
Se por um lado os resultados trouxeram apoio financeiro e tranquilidade para disputar as principais competições no mundo, por outro lado, encheram o calendário do judoca, que não consegue achar espaço para intensificar os treinos. ''Minha dificuldade agora é que estou viajando muito e não estou treinando a base. Se fizer treino forte próximo à competição, vou machucar'', disse o lutador, que começou tarde no judô, aos 15 anos, quando trocou a academia em Rolândia pelo Projeto Futuro, em São Paulo, onde recebeu o apelido de ''Baby''.
E as viagens não param por aí. Na briga para ser o melhor brasileiro no ranking acima de 100 quilos, ele embarca em maio para a Copa do Mundo em Moscou. No Brasil, o foco é o Grand Slam do Rio de Janeiro, um dos quatro do mundo e que vale 300 pontos no ranking mundial - o Grand Prix vale 200 e a Copa do Mundo 100.
Na agenda dele, ainda estão os Jogos Militares do Rio, o Pan-Americano do México e o Mundial da França. Todos os torneios seguem como base na conquista de pontos para a classificação para a Olimpíada de Londres-2012. ''Se eu mantiver a sequência de pódios, dificilmente fico de fora (dos Jogos Olímpicos)'', projetou.
Símbolo da renovação do judô brasileiro, ele aproveitou o aumento de apoio para melhorar sua equipe de trabalho. Além do auxílio que tem dos profissionais do Pinheiros, Silva contratou nutricionista e preparador físico particular. ''Pago eles por minha conta e estou me sentindo bem melhor. Antigamente, terminava a luta e eu mal conseguia ficar em pé. A diferença é grande'', afirmou o judoca, que atualmente é a grande esperança de medalha para o Brasil na Inglaterra no próximo ano.


