Desfile no carro dos Bombeiros e capa do jornal. Essas são as recompensas escolhidas pelo judoca Rafael Silva para sua conquista de ontem, em Londres. Medalhista de bronze no peso pesado do judô - a primeira do Brasil na história, nesta categoria, em Jogos Olímpicos -, ele desembarca em Rolândia, onde mora sua família, na semana que vem e deve ser recebido com muita festa na cidade.
''Agora vou ganhar a capa do jornal, não é?'', perguntou, logo ao atender à ligação da reportagem da FOLHA ontem, minutos depois de ganhar a medalha olímpica, a primeira da carreira do judoca de 25 anos, nascido no Mato Grosso do Sul, mas criado pelos avós em Rolândia. ''Estou muito feliz, cara. É um peso que sai das costas. Tomara que tenha caminhão de bombeiros''.
Terceiro colocado no ranking mundial, Baby, como é conhecido, viajou para Londres com a esperança de fazer uma final olímpica. Rafael Silva começou a disputa bem, ao vencer o islandês Thormodur Jonsson por ippon e na sequência bater o lituano Marius Paskevicius, também por ippon, no golden score (prorrogação). Nas quartas de final, porém, Baby não conseguiu se impor e caiu diante do russo Alexander Mikhaylin, que depois se tornaria medalha de prata (o ouro ficou com o francês Teddy Riner), também após um golden score e teve que disputar a repescagem.
Sem chances de ouro, mas brigando pelo bronze, Baby venceu o húngaro Barna Bor por decisões dos árbitros após o golden score terminar empatado. Na disputa pelo bronze, Rafael Silva conseguiu a medalha após seu adversário, o sul-coreano Sung-Min Kim, ser punido por falta de combatividade.
''Foi uma batalha bastante desgastante. Foram quatro golden score para conquistar a medalha olímpica, que vem coroar esse trabalho exaustivo. Estou bastante desgastado e a ficha ainda não caiu'', disse Baby, em entrevista à FOLHA, muito eufórico.
Ele contou que após a derrota para o russo, nas quartas de final, chegou a temer pelo pior, que era voltar para casa sem ir ao pódio. Foi então que Tiago Camilo, prata em Sidney-2000 e bronze em Pequim-2008, entrou em ação. ''Quando perdi, ficou complicado. Mas conversei com o Tiago Camilo, que deu bastante força, me passou tranquilidade e ficou do meu lado'', comentou.
E, por muito pouco, o judô brasileiro não conquistou outro bronze, ontem. Uma chave de braço, no último minuto da luta que valia o terceiro lugar, tirou a medalha de Maria Suelen Altheman no peso pesado. Ela venceu duas lutas, perdeu nas quartas de final, avançou na repescagem, mas acabou derrotada pela chinesa Wen Tong.

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