Rogério sobrevive a 33 graus negativos na grama
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quarta-feira, 01 de março de 2006
Silvio Barsetti<br> Agência Estado 
Moscou - Em jogo atípico para uma seleção brasileira, por causa do frio intenso e das condições do gramado do Lokomotiv Stadium, a vitória sobre a Rússia por 1 a 0 acabou premiando o atleta mais badalado da viagem da delegação a Moscou.
Rogério Ceni se destacou com boas defesas e salvou o gol de empate num lance de reflexo, no momento em que os donos da casa pressionavam com o apoio da torcida. Apesar da atuação firme, em circunstâncias adversas, ele manteve um discurso cauteloso sobre seu futuro na seleção.
''Se eu for à Copa do Mundo, não me sentirei surpreso; se não for, não ficarei decepcionado'', disse Rogério Ceni, depois de afirmar que sua posição não é prioritária na formação de um time com ''tantos craques'', como o do Brasil. ''Goleiro é secundário na seleção. E eu até entendo isso. Existe tantos que são muito bons, mas que passam despercebidos. Se a opção for por Dida, Marcos e Júlio César, a seleção estará muito bem servida.''
Rogério Ceni falou sobre o convívio de três dias com os demais atletas de ponta do Brasil e disse que o ambiente no grupo é o melhor possível. ''Foi uma experiência bacana, pude conhecer pessoalmente o Gomes, uma pessoa formidável e ótimo goleiro, e desfrutar de horas importantes com os outros colegas.''
Sobre o jogo com a Rússia, afirmou que vai guardar para sempre na memória a inédita experiência de atuar sob tanto frio um termômetro levado pela comissão técnica da seleção registrou 33 graus negativos na grama, ao final da partida. ''O jogo foi gelado, mas não foi uma fria. Eu senti os dedos dos pés e das mãos congelados, mas superei o problema.''
Outros jogadores, como o lateral Cicinho, reclamaram das condições climáticas. ''Temos de estar preparados para todas as situações, mas não tem como jogar nessas condições. Mas valeu como experiência para nós'', afirmou o lateral-direito Cicinho.
Apesar do total desconforto em campo, teve gente que precisou se esforçar bastante para carimbar um lugar entre os 23 que serão convocados para a Copa, em maio. O volante Edmílson, do Barcelona, ressaltou que muita água vai rolar até o Mundial. ''Eu quero jogar bem no meu clube para garantir meu lugar'', contou.


