Chegou a hora. Depois de três Olimpíadas nas costas, o nadador londrinense Rogério Romero, 31 anos, pode conseguir hoje o que vem buscando há 16 anos: a medalha olímpica. Com índice para as provas dos 100 e 200 metros costas, o atleta faz a sua estréia na quarta Olimpíada da carreira na piscina do Centro Aquático de Sydney, às 20 horas (de Brasília). Se passar pelas eliminatórias, garante sua vaga na semifinal e depois vai para a final, que será disputada a partir das 5 horas da manhã deste domingo.
Experiente e mais maduro, Romero acredita que pode chegar entre os finalistas. ‘‘Estando na final, tenho condições de brigar por uma medalha’’, diz, esperançoso. Seus principais adversários serão os americanos Aaron Peirsol e o atual recordista mundial nas duas distâncias, Lenny Krayzelburg. ‘‘Os australianos, italianos e ucranianos também podem dar trabalho.’’
Os Jogos Olímpicos de Sydney inovou no formato da disputa da natação. Pela primeira vez os participantes terão de passar por uma semifinal para chegar à final. Nas eliminatórias, classificam-se os 16 melhores tempos. Estes vão par as semifinais, de onde saem os oito atletas que fazem fazem a grande final.
Com quase o dobro da idade do maior astro da natação mundial, o australiano Ian Thorpe, Romero alcançou o auge de sua carreira. Conhecido pelos atletas mais novos como o ‘vovô da Piscina’, o londrinense dá uma lição de otimismo. Chegou a se ‘aposentar’ depois da Olimpíada de Atlanta (96), mas não conseguiu ficar parado por muito tempo. Voltou a treinar, corrigiu alguns erros e conseguiu, no ano passado, ser o brasileiro melhor colocado na Copa do Mundo, ganhando 12 etapas da competição.
Apesar de estar na história da natação brasileira, como o único nadador a competir quatro Olimpíadas, ele nunca conquistou medalha. Sua melhor colocação até hoje foi a oitava, nos 200 metros costas. O melhor tempo de sua vida – 1m59s99 – ele obteve este ano, durante o Campeonato José Finkel de Natação, disputada no Rio de Janeiro.
Romero está completando nesta Olimpíada as ‘Bodas de Prata’ da sua carreira. Foram 25 anos de dedicação. Depois de ter ficado fora dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no ano passado, Romero passou a treinar nos Estados Unidos com Michael Lohberg, o mesmo técnico de Fernando Scherer, o Xuxa, Fabíola Molina e Pedro Monteiro.
Romero volta à piscina do Aquatic Centre, no próximo dia 20, quando participa da prova de 200 metros, a sua favorita. ‘‘Sempre nadei melhor os 200 metros. E o meu objetivo aqui é pegar uma final nesta prova.’’
Técnicos – Devido a restrições impostas pelo COI no fornecimento de credenciais para treinadores, em virtude do elevado número de atletas inscritos (981, de 150 países), pelo menos 18 nadadores australianos participarão dos Jogos sem poderem contar com as orientações de seus mentores originais. No caso australiano, somente os técnicos de nadadores que obtiveram recordes no ano passado ou que estejam entre os quatro primeiros do ranking mundial foram credenciados. Os atletas ‘‘órfãos’’ passaram a ser orientados pelos técnicos da equipe olímpica.
(Colaborou Agência Estado)

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