Rogério quer entrar para a história do São Paulo
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Anderson Couto 
São Paulo, 27 (AE) - Ao contrário do adversário Dida, com seu jeito tímido e discreto, o goleiro Rogério quer fazer parte da história do São Paulo pelo seu comportamento espalhafatoso. O jogador não se limita a defender o gol da equipe. Ele sonha em ir ao ataque e surpreender o atual titular da seleção brasileira
vaga que um dia já foi sua. "Não será uma tarefa fácil", avaliou o goleiro.
Em sua carreira, Rogério já fez 12 gols - 8 de falta e 4 de pênalti. O último foi de falta, quarta-feira, na goleada por 4 a 1 sobre o San Lorenzo, pela Copa Mercosul. "Fazia uns três meses que eu não marcava; estava preocupado", brincou. O cobrador oficial de pênaltis é França, após a saída de Serginho.
Rogério nunca esteve frente a frente com Dida durante uma partida. Nem nos treinos da seleção, nos quais era proibido de cobrar faltas. No São Paulo, ganhou a confiança do técnico Paulo César Carpegiani, fã de Chilavert e um de seus maiores incentivadores. No fim de cada treinamento, o goleiro participa de uma longa série de cobranças. Ele quase sempre é o último atleta a deixar o campo. Contra o Corinthians, o próprio Rogério admite que vencer Dida será complicado. "Ele é um goleiro excepcional", analisou o jogador, ressaltando que ambos têm o mesmo estilo de jogo. "Eu procuro gritar mais em campo, organizar a defesa; o Dida é mais sério, não fala tanto, o que também é uma qualidade."
A língua afiada de Rogério, por sinal, pode ter prejudicado a sua relação com Wanderley Luxemburgo, o técnico da seleção. Depois de uma atuação desastrosa diante do Barcelona, em partida amistosa na Espanha, Rogério afirmou que nunca tinha visto um desempenho tão bom de um goleiro com a camisa brasileira. O comentário causou polêmica e Rogério nunca mais foi convocado.
O são-paulino garante não se sentir um injustiçado. Promete continuar trabalhando, na esperança de, um dia, ser lembrado novamente. "O Luxemburgo confia muito no Dida e eu não posso fazer nada", disse Rogério. "Se não me chamarem mais, tudo bem
não será nenhum desastre em minha vida."
No São Paulo, a rotina do jogador continua a mesma. Muitas brincadeiras com os companheiros e um assédio cada vez maior dos torcedores, sempre sonhando em entrar para a história do clube.


