São Paulo - Oscilante durante toda a temporada, consistente e vencedor nos últimos dois jogos. Resultado do trabalho intenso de Ney Franco nos treinos? Sim, mas a evolução do São Paulo coincide justamente com a volta de seu maior ídolo e capitão, Rogério Ceni. Mesmo em pouco tempo o goleiro começou a mostrar sua liderança e tem sido decisivo para o clube tricolor mudar sua postura.
Se tecnicamente ele ainda não foi fundamental para a equipe por ter sido pouco exigido, em todas as outras áreas sua presença aparece de forma importante. A principal delas está na cobrança ao resto do grupo por um espírito mais guerreiro em campo. Na preleção contra o Flamengo, jogo da sua volta, tomou a palavra e fez um discurso forte que contagiou os jogadores. ''Espírito, vontade de ganhar o jogo. Eu, com 40 (anos), quero ganhar, vocês têm que ganhar. Eu quero ganhar, subam lá querendo ganhar!'', gritou, batendo no peito. As palavras inflamaram o grupo, que fez uma das suas melhores apresentações do ano.
Dentro de campo, seu conhecimento tático tem sido importante para organizar o time, especialmente na defesa, setor que mais vem dando problemas para se acertar. Rogério Ceni não deixa de cobrar e orientar o posicionamento dos zagueiros tanto nas jogadas de bola parada como em lances de ataque. Mesmo jogadores mais experimentados reconhecem que sua presença traz um diferencial. ''A gente ganha muita experiência, ele é um cara que passa muito disso para o grupo. Ficamos todos muito felizes com a volta dele'', elogiou o lateral-esquerdo Cortez.
Mas não é só de cobranças e respeito que vive relação entre goleiro e elenco. Rogério Ceni tem procurado passar calma e tranquilidade especialmente aos mais jovens, que precisam muitas vezes enfrentar a irritação de uma torcida faminta por títulos enquanto amadurecem profissionalmente. Rodrigo Caio e Ademilson sempre são puxados para uma conversa reservada em lances onde a bola está parada por muito tempo ou na saída para os vestiários. Seja para elogiar ou sugerir alguma mudança de posicionamento, o capitão dá seu parecer e é ouvido com uma mistura de respeito e admiração. ''Ele sempre nos ajuda dentro e fora de campo. Passa muita coisa para nós, conversa bastante'', explicou Willian José.

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